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5 de janeiro de 2026

Livros 2025


(as madeleines que comi no dia que terminei de ler o último livro da saga Em Busca do Tempo Perdido)

Mesmo com muita coisa na cabeça consegui ler quase todos os dias, nem que fosse por alguns minutos. Nem acredito que finalmente consegui concluir a maratona que foi concluir os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, que na verdade é como se fosse apenas um livro enorme de quase 2500 páginas, com o mesmo narrador e praticamente os mesmos personagens em todos os volumes. E li muito nas viagem para a praia, coloquei meu leitor digital em um saquinho de fechamento hermético e li sem me preocupar com areia ou maresia. Foi um ano de ótimas leituras!

Sodoma e Gomorra - Marcel Proust
A prisioneira - Marcel Proust
A fugitiva - Marcel Proust 
Tempo recuperado - Marcel Proust 
É difícil para mim separar os livros e não tratar os setes volumes, que comecei a ler no ano passado, como um único grande livro com parágrafos que chegam a muitas páginas e poucos capítulos (geralmente dois ou três capítulos por livros) e que me levou quase dois anos para concluir. De longe foi o meu maior feito finalmente ter concluído a saga de Proust. Acho que meu cérebro foi reconfigurado depois dessa façanha, não por ter ficado mais inteligente, mas sim por ter conseguido ter mais paciência com a leitura em que quase nada acontece e em que o narrador é um tanto quanto chato. Mas por trás de todos os saraus, vesperais, peças de teatro e jantares em casas de pessoas ricas da sociedade de Paris do final do século XIX e início do século XX, Proust escreveu sobre o ser humano, as vontades, os desejos, os medos, as inadequações. Minhas partes favoritas foram no Hotel do Jupien, as conversas com o Barão de Charlu, com Oriane e os feitos de Gilberte. Gostei muito de ver um ponto de vista sobre a Primeira Guerra Mundial, de quem não estava ali no front e como a vida precisava continuar apesar da guerra. E pesquisei também sobre o Caso Dreyfus, que é real (e eu não conhecia!) e percorre vários trechos do livro, deixando impossível não fazer paralelos com as guerras atuais. Os relatos de bissexualidade e homossexualidade foram profundos, sem caricaturas e fiquei surpreso que um livro de mais de cem anos parece ainda tão contemporâneo. E todo o tempo fiquei com a máxima de "não confie no narrador", afinal de contas Marcel (que, por coincidência ou não, tem o mesmo nome de Proust) narra tudo em primeira pessoa, sempre de seu ponto de vista. Minha personagem favorita foi a governanta Françoise, acho que por sempre dizer o que pensa, sem se preocupar com educação. Na edição que li havia algumas notas de rodapé que informaram que praticamente todos os personagens foram baseados em pessoas famosas conhecidas por Proust. Mas o melhor mesmo é ler com o distanciamento geográfico e temporal, todas essas pessoas já morreram há anos. E adorei ver as notas do tradutor nos supostos erros de revisão de Proust (quando ele esquece que um personagem já havia morrido ou quando ele troca o parentesco de um personagem). Os últimos volumes não haviam sido publicados quando Proust era vivo. Eu amei ficar tanto tempo imerso nesse mundo, mesmo com a sensação em alguns momentos que a minha leitura não avançava. O final é maravilhoso, uma das coisas mais bonitas que eu já li e é impossível não pensar na passagem do tempo e nas esculturas que a passagem do tempos forma em nós.

Nós: O Atlântico em solitário - Tamara Klink (audiolivro)
Esse foi meu primeiro audiolivro, que veio em parcelas no podcast da Companhia das Letras. Eu adorei a dramaticidade da narração da Tamara Klink e realmente os feitos dela na navegação são incríveis! Eu jamais teria coragem de fazer algo parecido! Mal posso esperar para os próximos livros de Tamara.

Coisa de rico - Michel Alcoforado 
Esse livro é uma delícia de ler e gostei de pegar algo leve depois da Maratona Proust. Eu comprei para minha mãe, mas aproveitei para ler também. Adorei conhecer mais sobre os super ricos brasileiros e a escrita de Michel Alcoforado é maravilhosa. E ouvi tantas entrevistas dele em podcasts que sigo que parecia que já o conhecia. Eu li inclusive com sua voz na minha cabeça. E foi ótimo ver tantos amigos postarem fotos com esse livro, que virou uma febre. Imagina um livro baseado em uma tese de doutorado de antropologia alcançar tanta gente!

Latim em pó - Caetano Galindo 
Esse também comprei para minha mãe de natal e aproveitei para ler. Que delícia esse livro sobre a formação do português brasileiro, de como ele se transformou do latim, sofreu várias influências e chegou no nosso português brasileiro.

Na ponta da língua - Caetano Galindo
Esse também fez parte do pacotão de presente para minha mãe e de certa forma está relacionado ao Latim em Pó. Adoro o jeito que o Caetano Galindo escreve. E gostei de separar as palavras por partes do corpo. Eu me senti em uma aula divertida sobre as origens de várias palavras do português brasileiro.

Você , colônia - Beatriz Leal Craveiro 
É maravilhoso ler um livro de um autor que a gente conhece pessoalmente. Esse é o segundo livro que li da Beatriz, o primeiro foi o ótimo Mulheres que Mordem (que li em 2020). Eu devorei esse livro e os relatos dos narradores diferentes. Adorei ver as referências aqui da cidade e pensei em como é fácil enlouquecer. Poderia ser eu ali internado naquela clínica. E o livro vai ganhar versão impressa nesse ano! Que orgulho!

A boba da corte - Tati Bernardi
Esse é o primeiro livro de Tati Bernardi e adorei. Gosto muito dos podcasts da Tati e o livro também li escutando a voz da Tati na minha mente. Outro livro que devorei e ri em várias partes.

Mela cueca - DJ Zé Pedro
A pequena biografia de Zé Pedro no começo do livro foi a minha parte favorita do livro. Eu sou fã de Zé Pedro há muito tempo, desde a época do Super Pop. Em uma edição do Night Lab no SESI Lab há alguns anos finalmente consegui ver (e dançar) em um set dele. O livro é ótimo e tem várias curiosidades sobre músicas "mela-cueca" dos anos 60 a 80.

Gilberto Braga o Balzac da Globo - Maurício Stycer e Artur Xexeu
Eu mergulhei nesse livro de um jeito absurdo. Eu vi poucas novelas de Gilberto Braga, mas fiquei doido com Dancin' Days (que vi no Viva) e Vale Tudo (que vi na Globoplay). Que livro maravilhoso! Depois quero assistir mais coisas de Gilberto Braga e espero que a Globo lance mais séries e novelas baseadas nos textos inéditos dele. Eu estou completamente viciado!



11 de fevereiro de 2025

Livros 2024



2024 foi um ano que li menos, mas decidi não pensar como se fosse uma corrida maluca. Tento ler um pouco todos os dias, mas sinto que peguei um desafio enorme ao escolher ler Proust. De qualquer forma, aos trancos e barrancos, estou na metade do caminho. É provável que eu leve ainda o ano todo de 2025 e talvez um pouco de 2026 para terminar a saga do Em busca do Tempo Perdido.

1Q84 - Haruki Murakami 
Todo ano tento ler ao menos um livro de Murakami e o escolhido do ano foi o 1Q84. Uma saga em dois volumes enormes, mas devorei. Todos os ingredientes que mais gosto do Murakami estão lá. Personagens solitários, comida e um pouco de realismo fantástico. É um livro ótimo e que ficou comigo por um tempo depois do final da leitura. Uma das personagens, em um momento de isolamento, começa a ler o Em Busca do Tempo Perdido do Proust, mas larga logo em seguida, pois para ela parecia falar de um outro planeta. Fiquei intrigado e logo em seguida comecei minha saga do Proust.

No caminho de Swann - Marcel Proust 
A única coisa que eu sabia do Proust era a cena das madeleines e a xícara de chá, de como essa combinação lembrava imediatamente sua tia. Eu gosto de madeleines, o seu formato de conchinha, seu gosto meio de bolinho do lanche do final da tarde. A famosa cenas já acontece logo no começo, bom que não tem enrolação em relação às expectativas de grande parte das pessoas. O livro não tem palavras complicadas, mas fiquei perdido com o tamanho gigantesco dos capítulos, além dos parágrafos que seguem por várias páginas. Aliás, os parágrafos viraram capítulos para mim. Para navegar no livro tentava sempre deixar um começo de parágrafo para me guiar no próximo dia. Eu estava acostumado a ler meia hora, quarenta minutos, passei a ler apenas dez, quinze minutos. Demorei para engrenar e entrar mesmo no livro. A infância do narrador é cheia de cenas bonitas com os pais, a empregada e a tia (da madeleines). A vontade do beijo diário de boa noite da mãe.

À sombra das moças em flor - Marcel Proust 
A história segue na adolescência do narrador. Agora apaixonado pela filha de um amigo dos pais. Um homem judeu que se apaixonou por uma mulher com fama ruim por grande parte da sociedade. Muitos passeios pelo Champs-Élysées do final do século XIX, brincadeiras. Uma viagem com a avó para uma cidade litorânea em um hotel que me lembrou o Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson. Passeios na beira-mar para conversar com as garotas, visitas ao ateliê de um artista. A amizade com um rapaz nobre, que aos poucos vira um grande amigo. O namoro do amigo com uma atriz de má fama. A vida militar do amigo nobre.

O caminho de Guermantes - Marcel Proust
O narrador já é um jovem adulto. De volta a Paris. O rápido avanço da doença da avó, aliás a cena da morte da avó é uma das minhas partes favoritas até agora e me deixou muito impactado, achei a narração muito real, quase documental, a morte real, sem idealização. O amigo nobre do livro anterior é de uma família nobre que dá nome a esse livro. Encontros nas casas dos ricos para jantares e discussões sobre vários assuntos, inclusive antissemitismo, com base no caso Dreyfus, um evento verídico de um militar francês de origem judia que foi falsamente acusado de traição no final do século XIX. Dei uma pesquisada e realmente ocorreu como foi narrado no livro. Eu não esperava essa discussão, justamente quando ainda ocorre uma guerra nos dias de hoje, impensável na época do livro. Muitos jantares nas casas dos ricos, muitas discussões sobre nobrezas europeias, mas é interessante que o narrador percebe que apesar da aura de nobreza, muitas das pessoas ricas ali são medíocres. E agora sigo para a outra metade do Em Busca do Tempo Perdido.

14 de janeiro de 2024

Livros 2023



Com certeza um dos meus remédios para a saúde mental é ler. Depois do almoço descanso um pouco e então leio por alguns minutos. E às vezes antes de dormir. E, claro, nas viagens para esperar as eternas horas até a hora de embarcar. Tento ler de tudo, pegar indicações com amigos e em perfis de literatura na internet. E gostei da maioria dos livros que li em 2023. E sempre coloco na ordem cronológica em que li:

Ursula - Maria Firmina dos Reis
Meu marido foi para a Flip de 2022 e me trouxe esse livro e o da Camila Sosa Villada. Eu não conhecia a Maria Firmina dos Reis, mas o livro é maravilhoso. É um romance romântico, mas extremamente moderno por o primeiro livro brasileiro em que uma pessoa escravizada conta sua própria vida e seus anseios. E uma autora negra do século XIX no Maranhão escreveu essa história, que ficou esquecida por anos. Foi um ótimo começo de ano para mim.

O parque das irmãs magníficas - Camila Sosa Villada
Um dos meus livros favoritos do ano. Já quero ler os próximos livros da Camila. Gostei do realismo fantástico e também da realidade das pessoas LGBT, que parece tão próximo do que vivemos aqui no Brasil.

Lolita - Vladmir Nabokov
O livro mais difícil do ano. Ele é muito bem escrito, mas em vários momentos senti um enjoo terrível com o que acontecia com a Lolita e o narrador. Acho que é importante a arte também causar esse desconforto. Não sei se leria novamente.

Sul da fronteira, oeste do sol - Haruki Murakami
Todos os anos gosto de ler algo do Murakami, meu autor favorito. Gosto do estilo de escrita, dos temas e não li nenhum livro que seja ruim. Sul da fronteira é um livro antigo, mas mesmo assim muito bom.

Crying in H Mart - Michelle Zauner
Chorei em algumas partes desse livro e fiquei com muita vontade de experimentar os pratos coreanos mencionados em vários capítulos. É um livro lindo e parece que vai virar filme ou série. Mal posso esperar para ver!

O Hobbit - J. R. R. Tolkien
Sempre quis ler os livros do Tolkien e decidi começar pelo Hobbit. Um livro juvenil muito lindo e que foi a base para as histórias de fantasia medieval. Um livro para todos, mas que é um retrato da época. Não há personagens femininas e é uma narrativa bastante europeia. Mas mesmo assim um ótimo livro.
 
O Senhor do Anéis - J. R. R. Tolkien
Um livro enorme e que me fisgou mesmo com os vários personagens, nomes malucos para personagens e lugares. O livro apresenta mapas que facilitam muito o entendimento. Há mais personagens femininas do que no Hobbit, mas muito poucas. Um livro maravilhoso e que nos transporta para um universo de fantasia complexo.

O Silmarillion - J. R. R. Tolkien
Mesmo com o Hobbit e Senhor dos Anéis na bagagem, esse livro foi mais difícil. As lendas de formação do mundo são lindas, mas não é um romance. É quase uma reunião de textos sobre a formação do mundo criado por Tolkien.

Uma autobiografia - Rita Lee
A morte de Rita Lee me impactou como se fosse um parente próximo. Eu li no lançamento em 2016 e reler após a morte de Rita deu todo um novo significado. Um livro maravilhoso.

Dropz - Rita Lee
Textos leves escritos por Rita. Foi um ótimo aperitivo após ler a biografia.

Outra biografia - Rita Lee
Esse livro é lindo e impactante. Rita já sabia da proximidade de sua morte e escreve de um jeito leve e complexo sobre a finitude da vida. Depois de terminar minha saga Rita Lee escutei todos os seus discos. Realmente ela é um dos meus ídolos da vida. Não consegui ir a nenhum show de Rita, pois sempre achava que haveria outros. Mas suas músicas estão presentes em minha vida.

A estrada - Cormac McCarthy
Gosto de narrativas pós-apocalípticas. O livro é muito bem escrito e envolvente. Depois vou querer ver o filme e outros livros de McCarthy, falecido em 2023.

Mrs Dalloway - Virginia Woolf
Comecei a ler várias vezes o Mrs. Dalloway depois de assistir o filme As Horas. Dessa vez embarquei na vida de Mrs. Dalloway, as festas, a compra de flores e a vida da burguesia inglesa no século XIX.
 
The hearing trumpet - Leonora Carrington
Peguei a dica em um podcast e fiquei interessado em ler esse romance surrealista da pintora inglesa/mexicana Leonora Carrington. O livro é maravilhoso e forte. E pensei muito no envelhecimento e no tanto de coisas que é possível fazer, mesmo que absurdas.

Escravidão volume II - Laurentino Gomes
O volume I já me impactou muito e não poderia deixar de ler o volume II. É importante saber dos três séculos de escravidão no Brasil e todos os impactos.

Fogo morto - José Lins do Rego
Foi um dos meus presentes de aniversário. Não conhecia o José Lins do Rego, além das aulas de Literatura no colégio. Gostei muito do livro por mostrar a decadência dos engenhos no final do século XIX.
 
Veias abertas da América Latina - Eduardo Galeano
Depois de viajar ao Peru fiquei com vontade de conhecer mais dos vizinhos da América Latina. O Brasil é sempre tão isolado, como se não fosse latino também. Depois de ler esse livro do Galeano vi que temos muito mais semelhanças do que diferenças. E não tem como escapar dessa dominação norte/sul a não ser com a união.

O Lugar - Annie Ernaux
Não conhecia Annie Ernaux até ela ser ganhadora do Nobel. O livro é realmente maravilhoso. Conta a vida de seus pais, principalmente como Annie vivenciou o luto de seu pai. Fiquei com vontade de ler outros livros de Ernaux.

Os sete maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid
Peguei a dica em um podcast de Literatura e foi um ótimo livro. A vida de uma estrela de Hollywood fictícia, mas baseada em várias atrizes da era de ouro. Li notícias que vai virar série ou filme e já estou com vontade de assistir.

A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Esse livro foi com certeza o que mais me impactou das leituras obrigatórias da época do colégio. E foi ótimo reler depois de mais de vinte anos. O livro é curto e o último publicado por Clarice em vida. Macabea ficou comigo por semanas após o livro.
 
Lavoura arcaica - Raduan Nassar
É um livro que eu queria ler há muito tempo e fiquei curioso com a decisão do Raduan não escrever mais livros, mesmo após o sucesso literário. Hoje ele é um fazendeiro. Lavoura arcaica é um livro muito bonito e sobre os conflitos de família. Fiquei pensando em várias passagem do livro e de como as famílias são todas complicadas e com dificuldade diálogo. Eu vi o filme há muito tempo, depois preciso rever

Um copo de cólera - Raduan Nassar
Quis continuar na saga Raduan Nassar. Eu assisti o filme há muito tempo, mas já não me lembrava. Uma grande briga de casal, sem interrupções, sem capítulos. E a gente ali como testemunha, sem entender muito bem. Adorei!

Elke, mulher maravilha - Chico Felitti
Elke é um dos meus ídolos, junto com Rita Lee. Sempre gostei da figura mágica que aparecia na televisão e sempre gostei de todas as entrevistas que vi com ela. Essa figura linda e ao mesmo tempo extremamente lúcida e inteligente. Também senti a morte de Elke como se fosse um parente próximo.

Como se estivéssemos em palimpsesto de putas - Elvira Vigna
Esse foi o último livro de Elvira, publicado um pouco antes de seu falecimento. A personagem principal sem nome, mas muito forte. A vida de um cara boêmio viciado em contratar prostitutas. Aliás, fui pesquisar o que é um palimpsesto e são os pergaminhos raspados e reescritos várias vezes por cima. Um livro lindo e que me deixou com vontade de ler outros livros de Elvira.


23 de janeiro de 2023

Livros 2022



Continuo com o hábito de ler quase todos os dias depois do almoço e em 2022 consegui ler livros maravilhosos. Não teve nenhum livro que não gostei, mas alguns me marcaram mais. Peguei indicações de vários lugares, anoto sempre no bloco de notas de celular. E alguns livros puxaram outros. Percebi que a capa do meu kindle ficou bem marcada com o tanto que ele foi levado comigo em bolsas e mochilas, além de ir e voltar da praia. 

O álbum branco - Joan Didion
Eu tinha visto o documentário da Joan Didion na Netflix e fiquei com vontade de ler mais textos dela. Ainda não tive coragem de ler o livro sobre a morte do marido e da sua filha, então peguei um mais leve. O álbum branco é uma leitura deliciosa.

Homens sem mulheres - Haruki Murakami
Todos os anos tento ler algum livro do Haruki Murakami, um dos meu autores favoritos. Nesse livro de contos há o que virou um filme de muito sucesso (Drive My Car), que eu ainda não assisti, mas o conto é maravilhoso. Não tem erro para mim, o texto do Murakami é sempre sensacional.

Kadosh - Hilda Hilst
Eu não entendi muito bem o Kadosh, mas não preciso entender para gostar. O texto de Hilda Hilst veio como ondas, sensações e cores. Vários fluxos e imagens na minha mente. 

Antropoceno: notas sobre a vida na Terra - John Green
Esse livro do John Green ouvi por indicação no podcast de Aline Valek (o Bobagens Imperdíveis) e foi uma leitura leve e muito interessante. Eu me senti lendo os blogs de antigamente e aprendi várias coisas sobre aqueles adesivos de arranhar e que soltam um cheirinho, algo que não fez parte da minha infância.

Breasts and eggs - Mieko Kawakami
Eu não lembro onde peguei a indicação para esse livro, acho que foi no podcast da Companhia das Letras ou no da 451 mhz. Fiquei curioso com o título e valeu a pena. A história de uma moça japonesa que recebe em sua kitnet a visita da irmã e da sobrinha. A irmã quer fazer uma cirurgia de implante de silicone. O livro traz ainda a questão da maternidade, a falta de desejo sexual e vontade de ter filho sem estar em uma relação amorosa. Eu adorei o livro e fiquei com vontade de experimentar um chá gelado de cevada que as personagens sempre tomam, o mugicha.

O avesso da pele - Jeferson Tenório
Eu ouvi falar muito desse livro há meses e finalmente consegui ler. O livro é doloroso, mas é impossível de parar de ler. Uma história de violência policial, racismo, a dificuldade de ser professor na periferia e de luto. Mal posso esperar para ler os outros livros de Jeferson Tenório. E ainda deu de presente para uma amiga, junto com o livro da Natércia.

Os tais caquinhos - Natércia Pontes
Eu conheci a Natércia na época que morava em São Paulo, ela é amiga de um amigo. Quando vi que ela lançou esse livro fui atrás para ler. O livro é doloroso também e muito sensorial, mas é uma leitura voraz. Depois de terminar fiquei um bom tempo com essa história na cabeça. E escutei muito "Pra começar", da Marina Lima, música que inspirou o título.

Se o passado não tivesse asas - Pepetela
Eu nunca tinha lido  um autor angolano. Ganhei esse livro de uma amiga há muito tempo, tinha começado a ler, mas não engrenou, pois são muitas expressões diferentes do Português do Brasil. Mas dessa vez recomecei e a história me cativou e aprendi muitas expressões angolanas, como o bué (que é muito). Fiquei curioso nos pratos e bebidas citadas e percebi como há mais semelhanças com o Brasil do que eu pensava. As duas histórias são bem costuradas, com dois recortes temporais. Fiquei curioso para ler outros livros de Pepetela e outros autores angolanos.

Pequenos discursos. E um grande - Hilda Hilst
Eu adoro Hilda Hilst, mesmo sem entender alguns de seus livros. Estou lendo a coletânea de prosa picadinho para durar mais.

O guia definitivo do mochileiro das galáxias - Douglas Adams
Precisei de um pouco de leveza e ficção científica e lembrei do Guia do Mochileiro das Galáxias. Peguei essa coletânea com todos os livros (a trilogia de cinco livros) e adorei todos os personagens e os nomes malucos. Agora consigo entender a necessidade da toalha e tudo mais, que sempre é mencionada no dia 25/05. Ficção científica é sempre sobre a nossa realidade, mas de uma outra forma. Gostei das críticas, dos personagens, do ambiente. E gostei que começou como um programa de rádio. Algumas coisas muito inglesas eu não consegui captar completamente, mas de qualquer forma é uma ótima leitura.

A elegância do ouriço - Muriel Barbery
Peguei essa indicação no podcast da 451 mhz. E valeu cada minuto. Eu adorei a história da concierge que gosta de ler e estudar. E da adolescente filha de ricos e que não quer mais viver. O livro é curtinho e uma leitura maravilhosa.

Anna Karenina - Leon Tolstoy
De tanto que Anna Karenina é mencionado em A Elegância do Ouriço (os nomes dos gatos de dois personagens importantes são Levin e Kitty (dois personagens importantes em Anna Karenina) e Leon (o autor). O livro é denso, mas entendi porque é um clássico. Os personagens são todos muito bem construídos e desde o começo já percebemos que o destino de Anna não vai ser dos melhores, ela precisa ser uma heroína trágica para dar andamento na história. Consegui imaginar a Rússia da época dos czares, as viagens de trem, os agricultores, os chás e cafés nos samovares e as festas da elite. Depois fui ver a versão de 2012 com Keira Knightley e Jude Law, agora já tendo lido o livro e gostei bastante da adaptação mais teatral.

O manual da faxineira - Lucia Berlin
Peguei essa indicação em uma entrevista com a Letrux para o Arte1 e achei que seria um livro leve e engraçado com contos sobre faxinas na casa das pessoas. Esse é um dos livros mais pesados e maravilhosos que eu já li. Contos sobre pessoas marginalizadas e com problemas com o álcool, contos sobre infância, família e histórias quase surreais (como a da neta do dentista que ajudou a extrair os dentes do avô). Pesquisei sobre Lucia Berlin e vários de seus contos são inspirados em sua própria vida. E que somente após sua morte é que seus livros tiveram destaque. Mal posso esperar para ler outros livros de Lucia.

Cidades invisíveis - Italo Calvino
Eu ganhei esse livro na adolescência, mas nunca tinha lido. Depois de uns 20 anos resolvi ler e gostei muito. Imaginei todas as cidades narradas e nessa história costurada por um Marco Polo que inventou todas essas cidades, mas que a partir do momento que ele inventa essa cidades passam a existir. 

Sandman, Endless Nights, Death Deluxe, Overture, Nightmare Country - Neil Gaiman
Depois de ver a série do Sandman no Netflix fiquei interessado em ler os gibis e realmente nunca tinha lido algo assim. Devorei os 75 números originais e mais alguns que saíram após. E mal posso esperar para a 2ª temporada da série.

A viagem do elefante - José Saramago
Tinha tempo que não lia Saramago e chegou para mim esse sobre a viagem de um elefante de Lisboa até a Áustria. Uma história que realmente aconteceu, mas que ganha ainda mais realidade e cor a partir do momento que Saramago decidi contá-la. Fiquei dias pensando no elefante Salomão e no cornaca. 

Querida Kombini - Sayaka Murata
Mais um livro japonês, o terceiro do ano. Eu não podia ficar apenas no Murakami. Esse livro é curtinho, conta a história de uma moça neurodiversa, mas que não sabemos qual é o seu diagnóstico, apenas que ela é diferente de todo mundo ao seu redor e decidi se adequar à "normalidade" trabalhando numa loja de conveniências de uma rede famosa japonesa. A loja tem regras para vestimentas, para falar com o cliente e tudo mais, que a ajudam a guiar sua rotina e sua vida. Ela já trabalha há 20 nessa loja e gostava muito de trabalhar lá, sua vida estava boa, mas todo mundo ao seu redor achava estranho e queria que ela se adequasse a uma vida normal. Eu adorei o livro e me coloquei no lugar da personagem principal. Todo mundo tem alguma neurodiversidade, todo mundo sofre pressão para se adequar. É um livro árido e que ficou comigo muito tempo.

Anos de chumbo - Chico Buarque
Comecei a ler esse livro no avião com destino às férias na Bahia. Eu adoro os livros do Chico e esse livro curtinho de contos maravilhosos. O meu preferido é o do fã de Clarice Lispector. Eu li quase todo no avião e foi uma ótima companhia.

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - Clarice Lispector
Esse livro é citado no conto do Chico Buarque o "Anos de Chumbo" e fiquei curioso. Uma mulher e um homem que querem ficar juntos, mas que precisam entender várias coisas antes de ficarem juntos. Uma mulher independente e inteligente. Um livro dolorido, mas com cenas lindas, como o banho de mar solitário de madrugada. O livro retrata as poucas possibilidades das mulheres nos anos sessenta e o que era precisa sacrificar para poder ter uma vida do jeito que se queria. Pensei muito em Lóri depois que terminei o livro. Não sei se é o melhor livro para se ler nas férias, mas foi o livro que li na Bahia.

Tieta do Agreste - Jorge Amado
Eu lembro da novela e o do filme, mas nunca tinha pensado em ler o livro até que foi indicado por Chico Felitti em seu instagram. Aproveitei que estava na Bahia e resolvi ler Jorge Amado. Não poderia ter escolhido um livro melhor. Comecei a ler no final dos meus dias de férias, mas a Bahia me acompanhou até ontem, quando finalmente acabei o livro. Tieta é bem diferente do livro e da novela. E é um livro que não envelheceu. Trata de meio ambiente (ainda não sei o que dióxido de titânio), de política, de corrupção, de hipocrisia, de uma religião cristã menos punitiva e mais harmoniosa e, claro, trata de prostituição como uma empresa e como função social. Tieta é uma personagem maravilhosa e com a capacidade de mudar toda uma cidade. Ainda estou impregnado de Bahia e de Tieta. E que bom!

6 de janeiro de 2022

Livros 2021



Tenho gostado cada vez mais do kindle. Todos os livros li por ele, geralmente depois do almoço, no intervalo antes de voltar a trabalhar. Gostei de todos os livros e me ajudaram muito, cada um do seu jeito. Aliás, com certeza os livros têm me ajudado muito a não pirar, principalmente nessa época de pandemia.

Minha querida Sputnik - Haruki Murakami
Eu sou doido por Murakami, já perdi as contas de quantos livros dele já li. Sputinik é maravilhoso, cheio de mistérios e coisas fantásticas.

O elefante desaparece - Haruki Murakami
Quis continuar na onda Murakami e peguei um livro de contos. Vários textos incríveis, inclusive o conto que deu origem ao Crônica do Pássaro de Corda, um dos meus livros favoritos.

Hilda Hilst - Da poesia
Tenho ficado cada vez mais fascinado por Hilda Hilst. Não tenho o costume de ler poesia, mas seus textos são maravilhosos. Nem todos entendi, mas li sem me preocupar muito, apenas pela fluidez e pelas imagens que se formavam na minha mente.

A maçã no escuro - Clarice Lispector
Clarice. Nunca li nada ruim escrito por ela. Maçã no escuro é denso, cheio de suspense. Tem um começo que já fisga (um homem que corre para fugir de algo) e muitos questionamentos. Maravilhoso.

Tudo que já nadei - Letrux
Sou fã da Letrux, desde a época do Letuce e o seu livro é uma delícia. Parecia que ela estava ao me lado para me contar vários pensamentos e experiências.

Vergonha dos pés - Fernanda Young
Ainda demoro a entender que Fernanda Young morreu. Eu li vários de seus livros lá nos meus vinte anos e era fã de todos os programas que ela participou no roteiro ou na apresentação. E, claro, adorei o livro. É uma viagem ao começo dos anos 90.

The Fran Leibowitz Reader
Não conhecia Fran até ver seu documentário no Netflix (Faz de conta que é uma cidade). O livro é antigo e algumas coisas ficaram bem datadas (como os textos sobre pessoas LGBTQIA+), mas eu gostei muito mais da personalidade da Fran no seu documentário do que o livro.

How to change your mind - Michael Pollan
Mudou minha vida. Depois assisti o documentário Fungos Fantásticos fiquei ainda mais fascinado pelos fungos psicodélicos. 

Posso pedir perdão, só não posso deixar de pecar - Fernanda Young
O primeiro livro escrito por Fernanda Young e o primeiro a ser publicado postumamente. É um bom livro, mas não me fisgou muito. De qualquer forma é ótimo por ser um documento histórico, um registro do começo da carreira literária de Fernanda Young.

Marighella - Mario Magalhães
Eu não conhecia muito o Marighella, mas quis ler o livro antes de ver o filme de Wagner Moura. O livro e o filme são maravilhosos. O livro tem muito mais informação do que o filme e os dois se complementam muito bom. E infelizmente ainda está bastante atual com o governo que temos ainda em 2022.

Fluxo-floema - Hilda Hilst
Comecei a ler a prosa de Hilda Hilst depois de terminar de ler a coletânea com suas poesias. São alguns contos maravilhosos e super atuais. Imaginei que poderiam virar filme.
 
Tarot and the archetypal journey - the junguian path from darkness to light - Sallie Nichols
Comprei um baralho de tarot da Pamela Smith e tenho gostado de estudar um pouco, tirar algumas cartas para mim mesmo. Gosto do tarot como essa ferramenta de autoconhecimento.

O cobrador - Rubem Fonseca
Eu nunca tinha lido nada do Rubem Fonseca e me interessei depois de ouvir um podcast sobre ele na Quatro Cinco Um. O livro é um retrato do Rio de Janeiro na época. Todos os contos são maravilhosos. Um dos que mais gostei é que se passa em um barco no Rio Amazonas. Aliás, todos poderiam inspirar filmes. Quero ler mais livros do Rubem.

Antes do baile verde - Lygia Fagundes Telles
Eu havia lido apenas "As Meninas" na época da escola. Também ouvi um podcast sobre Lygia na Quatro Cinco Um. O livro de contos é maravilhoso. Sempre imaginava os filmes na minha cabeça. Quero ler mais livros da Lygia com certeza.

Todos os contos - Julio Cortazar
Sou fã do Cortazar desde os meus vinte e poucos anos e adorei que lançaram todos os seus contos em uma edição de dois volumes com mais de mil páginas no total, incluindo textos publicados postumamente (como o Papeles Inesperados) e alguns textos sobre como ele fazia seus contos e alguns textos acadêmicos sobre Cortázar. Fiquei quase seis meses para terminar e curti cada momento. 

20 de janeiro de 2021

Livros 2020



Juntou a pandemia e o meu kindle de presente, acho que li bastante no ano passado. Muitos livros bons, alguns ok. E consegui consolidar o hábito de leitura. Tenho lido quase todos os dias após o almoço. Tenho gostado muito do kindle, é muito fácil e agradável ler. E facilitou muito meu hábito de ler alguns livros ao mesmo tempo.

Kafka à beira mar - Haruki Murakami
Eu sou muito fã do Haruki Murakami, já li vários livros dele. Adoro essa mistura de banalidade e bizarro. E Kafka à beira mar tem tudo isso.

Escravidão vol. 1 - Laurentino Gomes
Um livro essencial para entender o Brasil. Os relatos são difíceis de ler pela desumanidade da escravidão, mas a pesquisa do Laurentino é ótima. Ainda vão ser lançados os volumes 2 e 3.

Essa gente - Chico Buarque
Um livro leve e sobre o momento atual. Várias vezes eu me peguei rindo alto. Eu gosto dos livros do Chico.

Torto arado - Itamar Vieira Junior
Um livro que me marcou muito. Eu peguei numa lista de melhores livros de 2019 e li sem saber muita coisa. Fui fisgado pelo livro de Itamar. Adorei as três partes, a história, as personagens, tudo. Mal posso esperar para ler os próximos livros. E o livro ganhou o Jabuti em 2020. Fico muito orgulhoso com o sucesso de Itamar.
 
Tudo o que você precisou desaprender para virar um idiota - Meteoro Brasil
Um livro bem didático sobre o país após 2016. É impressionante a quantidade de coisas malucas que temos passado desde então.

Bobagens imperdíveis para atravessar o isolamento - Aline Valek
Sou fã do trabalho da Aline. Livros, newsletters, podcasts. O livro é ótimo, textos curtos, gostosos de ler.

Valsa Brasileira: do boom ao caos econômico - Laura Carvalho
Outro livro para entender os últimos anos do Brasil. Uma saudade do boom econômico de 2002 a 2010. Era uma sensação gostosa ter esperança no país. Desde então é ladeira abaixo, mas ainda não paramos de descer.

Grande Sertão Veredas - Graciliano Ramos
Um clássico mundial. O livro não é fácil. Foi difícil começar a engrenar na história de Diadorim e Riobaldo. O livro não tem capítulos é apenas o relato oral da própria vida de Riobaldo em uma tacada só. Eu só tinha algumas imagens da minissérie da Globo na cabeça. Fiquei imaginando ler o livro quando foi lançado, a surpresa ao descobrir a identidade de Diadorim. Um livro fantástico que pretendo reler ao longo da vida.

Ideias para adiar o fim do mundo - Ailton Krenak
Conheci o Krenak há pouco tempo no documentário Guerras do Brasil, da Netflix. O livro é ótimo e me fez pensar muito nos rumos do mundo.

Um defeito de cor - Ana Maria Gonçalves
Outro livro que me marcou muito. Eu adorei acompanhar a história de Kehinde/ Luíza e adorei a mistura de realidade e ficção. Outro livro essencial para entender o Brasil.
 
Mulheres que mordem - Beatriz Leal Craveiro
É tão boa a sensação de ler um livro de alguém que se conhece pessoalmente. O livro da Bia é ótimo! São várias histórias entrelaçadas e muito bem amarradas.

A mulher que escreveu a Bíblia - Moacyr Scliar
Um livro leve e engraçado para ler enquanto o mundo desaba.

Meia noite e vinte - Daniel Galera
Eu gosto muito dos livros do Daniel Galera e esse é ótimo também. Ainda mais por tratar de algo próximo para a minha geração, como os blogs, o começo da internet, escrita. Várias referências que acho que as gerações mais novas não vão pegar.

Petaluma - Tiago Velasco
Tiago foi meu professor na faculdade de História da Arte e o livro de contos é muito bom. Meu conto preferido foi o que deu título ao livro.

The new tarot handbook: master the meanings of the cards - Rachel Polanik
Comecei a me interessar por tarot depois de saber da história da Pamela Smith em um podcast da Aline Valek. Tem sido bom ler sobre as cartas, os desenhos, as interpretações. Ainda não comprei meu baralho.

Os miseráveis - Victor Hugo
Eu ganhei há alguns anos uma edição linda e enorme, mas preferi ler no kindle. O começo foi difícil, mas de repente fui fisgado pela história de Jean Valjean e Cosette. E caíram algumas lágrimas no final do livro.

Cidades afundam em dias normais - Aline Valek
Comprei na pré-venda e foi ótimo chegar no kindle no dia do lançamento. O livro é ótimo, adoro a escrita da Aline Valek. E adoro histórias meio apocalípticas. Gostei muito.

Memorias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
Eu só li Machado de Assis no colégio e resolvi ler agora mais velho. O livro é ótimo e me surpreendeu. Achei muito moderno.

Oráculo da Noite - Sidarta Ribeiro
Um pouco antes de começar a pandemia o Sidarta foi convidado para dar uma palestra na UnB. Mesmo com medo eu fui. O anfiteatro estava lotado. E a palestra foi ótima. O livro é muito bom e tem muito sobre pesquisa neurológica e psicológica. Adorei saber mais sobre os sonhos.

Máquina do ódio - Patricia Campos Mello
Ainda é um machucado muito recente tudo o que tem acontecido desde 2018. Foi bom voltar para aquela época com os olhos de hoje. Não vejo a hora desse capítulo da história acabar. O livro é ótimo e nem consigo imaginar os perrengues que a Patrícia passou com a perseguição política que ela sofre desde 2018.

A amiga genial - Elena Ferrante
Eu sempre via os livros de Elena Ferrante em destaque nas livrarias e resolvi ler algo leve e que me fizesse viajar pela Itália. O livro me fisgou e acabei por ler toda a tetralogia napolitana. O texto é maravilhoso e devorei os livros, um atrás do outro. E adoro os mistérios sobre a identidade secreta da autora.

Dom Casmurro - Machado de Assis
Depois de Memórias Póstuma resolvi continuar no Machado. Adorei Dom Casmurro, toda a ambiguidade, a questão de não se confiar no narrador. Maravilhoso o livro.

O Alienista - Machado de Assis
Mais uma de Machado. Loucura ainda está muito atual.

História do novo sobrenome - Elena Ferrante
O segundo volume da tetralogia. Gostei de todos os livros.

Várias histórias - Machado de Assis
Esse foi muito difícil, alguns contos de Machado, vários que não gostei, mas li tudo. Foi um dos livros mais difíceis de terminar.

Sobre lutas e lágrimas: Uma biografia de 2018, o ano em que o Brasil flertou com o apocalipse - Mario Magalhães
Mais um livro sobre Brasil e 2018. Eu adorei revisitar os fatos que se passaram nesse ano tão difícil. Mas parece que de 2016 para cá cada ano tem sido pior que o outro.

Bored and Brilliant - Manoush Zamorodi
Eu escuto a Manoush há alguns anos nos podcasts Note to Self, ZigZag e TED Radio Hour. O livro é ótimo e me fez entender como é importante estar entediado. 

Elena Ferrante - História de quem foge e de quem fica
No final do ano tirei férias, não viajei e li muito. Quando fui no hospital após o resultado positivo para COVID com esse livro, terminei de ler enquanto esperava a triagem e o cadastro. Fantástico!

Elena Ferrante - História da menina perdida
E já emendei no último livro, precisava saber como acabava a história de Lila e Lenu. É uma sensação gostosa acompanhar a vida delas da infância até a terceira idade com tantos detalhes. Li por horas a fio enquanto tinha febres, suores e dores no corpo. E depois que acabei fiquei com um vazio enorme no peito.

13 de agosto de 2020

Livros


Ganhei de aniversário do meu marido um kindle. Eu já estava acostumado a ler pelo celular e não tinha pensado em comprar um kindle, mas ele realmente faz diferença. Tenho gostado muito de ler por ele, ainda mais por ter aprendido a usar o envio de livros e documentos pelo e-mail, sem precisar ligar o cabo USB no computador. A tela é muito mais confortável de ler do que no computador, no tablet ou no celular e a leitura é muito agradável, ainda mais com a opção de mostrar quanto tempo falta para acabar o capítulo. Ele é mais leve que o celular, a tela tem um tamanho bom e a bateria dura muito tempo. Tenho lido muito mais desde que ele chegou.

6 de janeiro de 2020

Livros de 2019


Ano passado foi o que eu mais li na minha vida toda. Acho que finalmente engrenei nesse negócio de leitura. Eu sempre tento ler dois ao mesmo tempo, um de ficção e outro de não-ficção, mas às vezes o de ficção acaba se sobressaindo. Praticamente todos os livros foram lidos pelo celular, somente nas férias de dezembro que consegui ler alguns de papel. Claro que o de papel é bem melhor de ler, mas a praticidade de estar sempre com vários livros no bolso é imbatível. Ainda mais quando se quer escapar das rolagens eternas nas redes sociais. Aprendi muita coisa com os livros desse ano, não teve nenhum que não gostei, mas outros me surpreenderam. Não tenho muito critério para a escolha dos livros, alguns vieram de indicação de amigos outros de sites. Os livros estão na ordem em que terminei a leitura.

[Sapiens - Yuval Noah Harari]
Ouvi uma entrevista com Yuval em um podcast do James Altucher e gostei muito do que ele falou sobre o ser humano. Nesse livro ele se baseia em diversas pesquisas e remonta a trajetória do homo sapiens, passando pela caça e coleta, a agricultura, a colonização, a industrialização e a atualidade. É ótimo poder rememorar as aulas de história e entender de forma mais cadenciada. Muito bom de ler e com várias teorias interessantes (como a do trigo ter domesticado o ser humano e não o contrário).

[Contos completos - Caio Fernando Abreu]
Eu adoro Caio Fernando desde a adolescência. Um dos primeiros livros dele que li foi o Morangos Mofados e virei fã. Ler todos os contos em ordem cronológica foi ótimo. Os primeiros, claro, são mais simples e juvenis, mas é muito bom poder ver a trajetória do escritor no decorrer do tempo. E me fez voltar para esse Vinicius da adolescência.

[A obscena Senhora D - Hilda Hilst]
Eu adoro tudo o que li sobre Hilda Hilst, mas nunca tinha lido nada que ela escreveu. Comecei com um dos mais famosos e fiquei completamente sugado pela escrita fluida, simples e complexa ao mesmo tempo. Não consigo nem explicar direito, é preciso ler. A escrita é maravilhosa.

[Você tem fome de quê? - Deepak Chopra]
Um ótimo livro sobre alimentação com base em filosofia indiana, mas que é um pouco difícil de colocar em prática. Há algumas receitas no final, mas não fiz nenhuma.

[Dance dance dance - Haruki Murakami]
Eu já sou fã do Murakami, então peguei esse aqui pelo título. Maravilhoso e que já fisga nas primeiras páginas. Depois que li descobri que ele é a continuação do livro abaixo, mas que podem ser lidos como livros independentes. Como em vários livros dele, há um pouco de sobrenatural.

[Caçando carneiros - Haruki Murakami]
Murakami, né? Nunca me deixa na mão. A primeira parte do livro acima, mas que funciona como história independente. Explica mais do personagem Rato, que é mencionado no Dance dance dance.

[Um coração ardente - Lygia Fagundes Telles]
Eu adoro a relação da Lygia com a Hilda. O único livro que tinha lido de Lygia foi o As meninas, talvez o único livro que li obrigado na escola e que realmente gostei. Um coração ardente são de contos e todos são ótimos.

[Me poupe - Nathalia Arcuri]
Livro de finanças de um jeito bem fácil e descontraído. Eu li após ver alguns vídeos da Nathalia no YouTube. Bem simples, mas não coloquei muita coisa em prática.

[Não me abandone jamais - Kazuo Ishiguro]
Kuzuo ganhou um Nobel há alguns anos e nunca tinha lido nada dele. O livro é bem tocante, lento e distópico e fala bastante sobre humanidade. Depois descobri que foi adaptado ao cinema, mas não vi o filme. Muito bom, depois quero ler outros livros dele. Mas gosto mais de Murakami.

[A mágica da arrumação - Marie Kondo]
Isso me traz alegria? O livro me surpreendeu e coloquei em prática alguns ensinamentos, principalmente a forma de dobrar camisetas na gaveta. A série da Kondo na televisão me incomodou um pouco pelo modo infantilizado em que ela foi retratada, mas o livro mostra sua verdadeira voz, bem mais engraçada e adulta.

[Variações enigma - André Aciman]
Depois de me apaixonar por Me chame pelo seu nome quis ler outro livro de Aciman. É muito bom, mas não tão bom quanto o Me chame. Muitos amores de um homem que se apaixona por homens e mulheres, mas que os troca constantemente, sempre buscando estar apaixonado.

[As águas vivas não sabem de si - Aline Valek]
Sou fã de Aline há algum tempo, leio seus textos em blogs e newsletters e agora escuto também seu podcast. O livro é muito bom. Uma expedição ao fundo do mar, mas que poderia ser a outro planeta.

[Pós-F - Fernanda Young]
Ainda chocado com a morte de Fernanda Young, que li muito na adolescência. O livro é ótimo e polêmico, seu último lançamento. Ela discute o feminismo.

[Akira - Katsuhiro Otomo]
Eu vi o anime do Akira quando era pequeno e não entendi nada. Revi há pouco tempo e fiquei com vontade de ler o mangá, que é bem diferente. Adorei.

[Tudo o que você não soube - Fernanda Young]
Outro livro de Fernanda Young. Bem ácido. Uma filha que nunca se relacionou bem com seu pai escreve um livro para que ele leia antes de morrer numa cama de hospital. Mas muito mais para que ela consiga entender mais de sua própria vida. O livro é delicioso.

[Quarto de despejo - Carolina Maria de Jesus]
Eu nunca tinha ouvido falar de Carolina, uma das primeiras escritoras negras a ter destaque. O livro é um diário, escrito em um português real e narra a fome e as dificuldade de uma mulher que cria três filhos e mora em uma favela de SP na década de 1950. Um dos livros que mais me impactou no ano.

[Vozes de Tchernóbil: A história oral do desastre nuclear - Svetlana Aleksiévitch]
Depois de terminar a série de TV, quis saber mais e ler o livro em que ela é baseada. O livro é dificílimo de ler, não pela escrita, mas sim pelos relatos de pessoas que viveram tudo aquilo. Várias vezes precisei parar e respirar. Também me impactou muito.

[My year of rest and relaxation - Odessa Moshfegh]
Eu adorei esse livro. Uma moça rica e linda decide ir numa psiquiatra mequetrefe para conseguir vários calmantes e passar o ano meio desligada da realidade e poder processar o luto e vários perrengues que ela havia passado. O livro se passa entre 1999 e 2001, na explosão das torres gêmeas. É muito doido sentir raiva e empatia por essa personagem. A escrita é muito fluída e é bem fácil de ler.

[Sobre o autoritarismo brasileiro - Lilia Moritz Schwarcz]
Livro essencial para entender mais o país. Descobri que o país foi cagado desde o começo. As raízes de tudo o que a gente passa hoje vem desde o século XVI. Que beleza. Adoro o trabalho da Lilia e esse livro é essencial para todos.

[Patti Smith - Devotion]
Sou devoto de Patti. O show dela ano passado foi sensacional. No aquecimento li o Devotion, sobre o processo de escrita, criatividade e tem um conto bem interessante sobre uma patinadora. É um livro curto e bem fluído. Não é meu favorito da Patti, mas é um livro muito bom. E aprendi muitas palavras novas em inglês, pois tive que pesquisar várias.

[Ricardo e Vania - Chico Felitti]
Eu já tinha lido a reportagem do Chico Felliti que saiu no Buzzfeed sobre o Ricardo, mais conhecido como Fofão da Augusta. Quando morava em SP (entre 2012 e 2014) eu vi algumas vezes na rua o Ricardo e sempre me questionei se o seu rosto era uma doença ou se foi congênito, mas lendo a reportagem entendi que foram várias aplicações caseiras de silicone industrial. O livro retoma a reportagem e dá andamento também à vida de Vânia. Muito bem escrito e um soco no estômago.

[Eu, travesti - Luísa Marilac e Nana Queiroz]
Comprei o livro do Chico Felitti junto com o da Luísa Marilac e acabei lendo um seguido do outro. Há muitos paralelos entre as vidas de Luísa, Ricardo e Vânia, personagens sempre à margem da sociedade e que vivenciam diariamente o preconceito. O livro da Luísa e da Nana é muito bom. É narrado em primeira pessoa, num misto entre Luísa e Nana.

[Patti Smith - Year of the monkey]
Apenas maravilhoso esse livro! Uma mistura de sonho e realidade do que foi o ano de 2016, com a eleição do presidente dos EUA. Uma delícia de ler. E me lembrou um pouco o Linha M, um livro anterior da Patti.

[Fernanda Montenegro - prólogo, ato e epílogo]
Devorei esse livro que conta a vida de Fernanda Montenegro. E as fotos são lindas também. Não é à toa que ela é a atriz brasileira mais famosa.

[Albert Camus - o estrangeiro]
Sempre fiquei curioso com o livro que inspirou a música "killing an arab" do The Cure. Eu li quando estava na praia ainda e a primeira metade do livro se passa no litoral da Argélia, com vários banhos de mar. A segunda parte é só a prisão e o julgamento. O livro é muito bom e realmente um clássico. Depois eu vi que o The Cure tem cantado "kissing an arab" para evitar essa fobia que as pessoas ocidentais têm dos árabes.

[Me encontre - André Aciman]
Eu amei o Me chame pelo seu nome e desde que soube que teria uma continuação fiquei com vontade de ler. O livro é muito, mas frusta e surpreende bastante. Metade do livro é sobre o pai do Elio, mas depois de passar essa ansiedade por Elio e Oliver, curti bastante saber mais sobre o pai. Não é o que eu esperava e isso é ótimo. O encontro de Elio e Oliver é narrado em umas dez páginas e acho que se conclui bem. No capítulo dedicado ao Elio e gostei muito do novo romance dele e do mistério (que não é resolvido no livro). 

28 de agosto de 2019

Fernanda Young


A morte de Fernanda Young me pegou completamente de surpresa e tem me afetado mais do que o falecimento de muitos dos meus parentes.

O primeiro de seus livros que li foi "Carta para alguém bem perto" e mesmo que bastante longo, a leitura foi bem rápida para alguém nos vinte e poucos anos. Lembro de ter curtido cada página e que me passava um filme enquanto lia.

Adoro o jeito desbocado, suas tatuagens, o cabelo por muitos anos raspado e depois longo, depois loiro, depois curto. As fotografias sensuais, os maravilhosos roteiros dos Normais, do Aspones e do Shippados. Adorava seus programas na tv também, principalmente o Irritando Fernanda Young.

Quando a gente morava em São Paulo fomos no lançamento de um curta inspirado no A Louca Debaixo do Branco, um livro de fotos em que ela aparece vestida de noiva, além de contos, entrevistas e histórias malucas sobre o dia de casamento. O curta era lindo, mas no auditório havia pouco mais de dez pessoas. Fernanda não ficou muito abalada, apenas disse que nós que estávamos lá éramos foda. Eu e Iran corremos na livraria do MIS e compramos o livro e ainda emprestamos a caneta para ela autografar o nosso livro e dos demais. Ela escreveu apenas "Iran e Vinicius, muito obrigada!".

E hoje eu que agradeço toda a genialidade, os palavrões, a libertação e tudo o que ela produziu.

Comecei esses dias a ler mais um livro dela (o "Pós-F") e é tão trágico saber que ela morreu. Sua escrita é tão vibrante, tão visceral. São poucas as pessoas que me fazem sentir assim quando morrem...

8 de fevereiro de 2019

Arrumação japonesa


Meu armário sempre foi uma zona. Engraçado que todo mundo diz que virginiano é organizado, mas para algumas coisas eu não ligo muito, como o armário. Na verdade, eu não gosto de bagunça aparente, mas se está uma zona dentro do armário e a porta está fechada, não ligo.

Todo mundo tem falado muito na Marie Kondo e sua mágica da arrumação. Vi um capítulo da série dela e me deu muita agonia de ver aquele casal estadunidense naquela casa toda zoneada.

Resolvi então ajeitar algumas coisas lá em casa. Não dei conta de fazer o ritual do "isso me dá alegria" e nem de agradecer as peças que não ficariam. Mas tirei tudo das gavetas e fui tentar ajeitar. Quanta coisa! É impressionante como é fácil acumular coisas! Fiquei com vontade de tentar ser mais minimalista. Quem sabe um dia.

Eu adorei como a Kondo sugere que as camisetas sejam dobradas de forma que elas fiquem em pé, mais ou menos como os CDs nas antigas lojas de música, de forma que quando se abre a gaveta a gente consiga ver todas as roupas.

Realmente dá certo! E cabe mais roupa assim. Aliás, falando em mais roupa, fiquei impressionado com o tanto que tenho. E tem de vários tamanhos, desde o P até o G, pois ainda estou na luta para conseguir perder alguns vários quilos. Mas consegui me desfazer de algumas que já estavam mais sambadas.

Aproveitei a onda e arrumei também as gavetas de quinquilharias da cozinha. Facas, colheres, batedores de clara, abridores de garrafa. Tinha coisas que nem lembrava que a gente tinha em casa. E alguns utensílios que são bastante úteis, mas têm apenas uma função (tipo o separador de clara e gema). Usei a técnica da Kondo das caixinhas dentro da gaveta para criar divisórias e deu super certo. Não me desfiz de nada, pois sempre fica um "vai que um dia preciso desse cortador de biscoito em forma de boneco".

Eu peguei os dois livros da Marie Kondo que foram lançados aqui no Brasil e estão na minha lista de leitura. Vai que finalmente aprendo a usar as técnicas dela. Isso me traz alegria?

2 de janeiro de 2019

Livros de 2018


No ano passado li onze livros e fiquei orgulhoso, pois em 2017 li um pouco menos. A maioria li em versão eletrônica, pelo próprio celular. Tenho tentado ficar menos nas redes sociais e daí quando estou numa fila ou na espera de alguém eu pego o celular e vou ler um pouco. De pouco em pouco a gente acaba lendo um monte! Fiquei impressionado que até pouco tempo atrás não conhecia o Haruki Murakami, mas li quatro livros dele nesse ano (e gostei de todos!).

[O incolor Tsukuru e seus anos de peregrinação - Haruki Murakami]
O primeiro livro do Murakami que li. Um rapaz isolado que acaba se separando de um grupo de amigos da escola (cada um com uma cor no sobrenome em japonês) e após muitos anos tenta entender o porquê de ter sido isolado pelos antigos amigos. A atmosfera do Murakami é muito boa e realmente fiquei fisgado pelo livro.

[Tartarugas até lá embaixo - John Green]
Um livro bem leve, voltado para o público jovem. É interessante que a personagem principal sofre de ansiedade e o livro procura demonstrar como é alguém que convive com uma doença mental.

[A montanha Brokeback - Annie Proulx]
O filme é lindo e muito triste. O livro é bem curto, quase um conto, mas é muito envolvente. Algumas pequenas mudanças (no livro os personagens não são bonitos como no filme), mas é basicamente a história do filme.

[Sono - Haruki Murakami]
Murakami sempre maravilhoso. Mas achei que o livro tinha vindo com defeito, pois tem um final super abrupto. Pensei que estava faltando a última parte.

[Noergian Wood - Haruki Murakami]
Outro Murakami. Uma história que se passa no final dos anos sessenta. Protestos estudantis, revolução sexual. Uma história bem bonita sobre as dores pela morte de pessoas próximas.

[A sutil arte de ligar o foda-se - Mark Manson]
É autoajuda, mas com palavrões e de forma mais direta, sem muitos rodeios.

[Uma Vida Pequena - Hanya Yanagihara]
Sofri tanto com esse livro. A história é super envolvente, mas os personagens sofrem muito. Sofrimentos desumanos, narrados em detalhes. E a história acompanha a vida de quatro amigos (Jude, JB, Malcom e Willem) desde a faculdade até os cinquenta anos deles. A história é muito envolvente e cheia de detalhes. Em vários momentos precisei parar a leitura e respirar um pouco. É super longo (umas setecentas páginas), mas a história flui muito bem, com capítulos em que dá para ler em uma sentada. O final me deixou em suspensão por alguns minutos para poder digerir tudo.

[Me chame pelo seu nome - André Aciman]
O filme já é maravilhoso. O livro consegue ser ainda melhor. Eu me senti numa cidade pequena da Itália (nunca fui pra Itália). É ótimo poder ver a história pelo viés de Elio. E o melhor é o último capítulo, que vai alguns anos após o final do filme. Lindo, lindo, lindo!

[Todos os Contos - Clarice Lispector]
Eu já tinha lido vários contos da Clarice, mas é maravilhoso poder ler todos os seus contos em ordem cronológica. E notar toda a mudança em seu estilo, desde os primeiros contos. E é ótimo ter lido um conto não publicado anteriormente sobre a visita de Clarice a Brasília

[Do que falo quando falo de corrida - Haruki Murakami]
Um Murakami que conta como ele começou a correr e de como ele tem corrido desde então. E como correr e escrever são atividades parecidas. Eu achei que iria começar a correr também, mas isso ainda não aconteceu. Quem sabe um dia.

[Crônica do Pássaro de Corda - Haruki Murakami]
Eu não consegui largar esse livro até terminar. Fiquei pensando muito no poço e nesse mundo levemente sobrenatural. Maravilhoso! Crônica do Pássaro de Corda e Uma Vida Pequena foram os dois livros que mais me marcaram nesse ano.

Não consegui ainda terminar ainda todos os contos do Caio Fernando Abreu e o Sapiens de Yuval Noah Harari, mas devem ser os primeiros de 2019.

23 de maio de 2017

Livros

Decidi há um tempo comprar livro para dar de presente nesse ano nos aniversários e nas datas comemorativas. Tem sido difícil, mas até agora tenho conseguido. E nem sei bem porque decidi isso, mas tenho gostado de dar livros. Ler sempre me ajudou muito e adoro ganhar livros, pois mesmo que não goste, posso voltar na livraria e trocar por outro ou mesmo tentar ler aquele livro que de repente pode não ser assim tão ruim. E tem cada vez menos livrarias na cidade, as pequenas estão as poucos sumindo, sobrando só as grandes e as online. Mas é isso, livros para os amigos e família!

3 de janeiro de 2017

Novo

E o ano começa de novo, depois de férias na praia e no museu/jardim botânico. Mar e arte, duas das coisas que gosto. E, claro, meu amor.

Começo de ano faz a gente repensar algumas coisas. O ano passado não foi fácil, mas foi bom. Voltei para a faculdade, fiz terapia, continuei a nadar, fiz as pazes com meu emprego, reduzi minhas contas, conversei mais com minha família, fiz algumas novas amizades, viajei de carro para a praia e, o melhor, não enlouqueci com tudo o que aconteceu com a política ano passado.

Nesse ano eu só quero continuar nesse ritmo e também cuidar mais da minha saúde. Comer melhor, fazer exercícios, beber menos, dormir bem (o ano mal começou e já tive insônia). Quero continuar leve, quero prestar mais atenção nas coisas, nos sinais ao meu redor, nas pessoas, quero ler mais, aprender mais, viajar mais.

Inhotim foi maravilhoso. Tenho vontade de voltar lá. Aliás, a foto que ilustra o texto tirei em uma das galerias de lá. É um quadro de Luiz Zerbini, chamado "Mamão Manilha", 2012. Fui pesquisar agora sobre ele é a primeira coisa que aparece é que ele é casado com a Regina Casé. Gosto das cores dos quadros dele que eu vi e da mistura de cidade, caos e plantas tropicais. 

E sobre as leituras, li dezessete livros de assuntos bem variados, quase que aleatórios. E, claro, quero tentar ler mais nesse ano. Ganhei alguns livros ótimos de aniversário e de natal. E li vários outros em ePub.
  • Leite derramado - Chico Buarque
  • O amor nos tempos de cólera - Gabriel Garcia Marques 
  • Diario de um legionário - Dado Villa-Lobos 
  • Aprendendo a viver - Clarice Lispector
  • O Mundo Sem Anéis - Mariana Carpanezzi
  • Poética - Ana Cristina César
  • O primeiro homem mau - Miranda July
  • Édipo Rei - Sófocles
  • Medeia - Eurípides
  • Diários da corte - Paulo Francis
  • Como ter uma vida normal sendo louca - Jana Rosa e Camila Fremder
  • Bilhões e lagrimas- Consuelo Dieguez
  • Pense como um artista - Will Gompertz
  • A grande magia - Elizabeth Gilbert 
  • Ta todo mundo mal - Jout Jout
  • Só Garotos - Patti Smith
  • Toureando o Diabo - Clara Averbuck e Eva Uviedo
Mas estou feliz comigo e com o ano. Quero mais cor (como nesse quadro do Zerbini), quero mais plantas, mais céu, mais horizontes, mais mar, mais rio, mais cachoeira, mais risada, mais pensamentos, mas atenção, mais amor, mais leveza.

De meta, só comer melhor e fazer mais exercícios. E ler mais. 

E já chegou o 2017!

27 de setembro de 2016

Arqueologia

Mais ou menos quando aprendi a ler peguei uma paixão por um livro desses da coleção Larrousse sobre o Egito. Tinha livros sobre Roma, Grécia, Mesopotamia na biblioteca dos meus pais, mas eu só gostava do Egito. Eram muitas figuras de hieróglifos, pirâmides, faraós e, claro, o busto da Nefertite, que até hoje me lembro. Foi a primeira vez que entendi que deveria haver algo depois que a gente morria, quando vi um capítulo sobre "o além vida", com um barco levando várias daquelas figuras que só andavam de lado, com balanças e pessoas com cabeças de animais. Por essa época só pensava em ser arqueólogo quando eu finalmente crescesse. Imagina aprender a ler aqueles símbolos egípcios? E ir para desertos para cavar buracos atrás de rastros de civilizações antigas? Com o tempo a arqueologia ficou cada vez mais distante, mas ficou a curiosidade por coisas antigas, essas que a gente chama de "vintage" hoje, apesar de nem sempre esses objetos terem só duas décadas. E também sou fascinado pela forma como as pessoas viviam antigamente, quando as fotos eram ainda em preto e branco ou amareladas. Há alguns meses fui na casa dos meus pais pra ver se eles ainda tinham esse livro do Egito, mas há anos eles doaram pra um sebo... Voltei a estudar o Egito numa das aulas de História da Arte na faculdade e só lembrava do tanto que gostava de folhear esse livro e desse meu desejo de ser arqueólogo.

3 de março de 2016

Toureando o Diabo

É engraçado encontrar com um autora que eu leio há tanto tempo, seja por livros ou pelos blogs. A Clara Averbuck é uma das pessoas que começaram a escrever quando a internet comercial começou e até hoje lança textos e livros.
Eu acompanho o trabalho dela há bastante tempo. Ontem foi o lançamento do último livro dela e foi ótimo poder abraça-la e conversar um pouco com ela, na verdade falar algumas besteiras que saem assim sem mais nem menos quando a gente está nervoso.
Ainda levei um livro dela mais antigo que eu tenho há anos e ela autografou também.
E que venham os próximos livros e lançamentos!
Aliás, quero ler ainda mais esse ano!

3 de janeiro de 2016

Já é 2016!


O ano de 2015 foi um ano complicado, mas não foi ruim. Voltei para o meu emprego antigo, voltei para Brasília, voltei para perto da minha família e dos meus amigos. Mas não foi simplesmente uma volta, afinal foram quase três anos ali por São Paulo. Não tem como voltar igual de lá.

Mas depois da temporada paulista eu quis simplificar minha vida. Comecei a me alimentar melhor, a fazer natação, vi várias palestras interessantes do Ossobuco no CCBB, fiz cursos para meditar, pintar aquarelas, aprender sobre café e li bastante (os doze livros no final do texto). Aliás, consegui ler bem mais do que ano passado graças aos aplicativos de ebooks no celular e no tablet.

Então terminei o ano um poucos mais magro (uns dez quilos), pousei pelado e fiquei e sabendo mais coisas do que no outro ano. Tudo bem que de questões profissionais não me aprimorei muito, pois não procurei mudar de emprego. Tirei esse ano para me conhecer mais e me reconectar e realmente consegui.

E consegui terminar o ano da melhor maneira, com trinta dias de férias, quase como nos tempos do colégio. Não planejei viagens e nem nada muito complicado. Arrumar a casa (reformar cadeiras, pintar uma parede de lousa na sala/cozinha, emoldurar quadros), arrumei o carro que já estava meio baqueado e descansei muito. Vi muitos filmes que estavam na minha lista do Netflix (vi os três filmes do Poderoso Chefão, que não sei porque não havia visto antes, além de vários outros filmes novos e antigos). E fiz vários programas legais na cidade, como ver o novo filme do Star Wars no Cine Drive In com meu amor e minhas amigas, fiz trilhas na Água Mineral, fui na Feira do Guará várias vezes, comprei mais alimentos orgânicos, cozinhei mais, fiz iogurte, vi concertos da Orquestra Sinfônica de Brasília, saí dia de semana, me acabei em algumas festa e acordei tarde quase todos os dias.

E terminei o ano (e comecei esse ano) com uma road trip maravilhosa com minhas amigas e meu amor para Alto Paraíso. Mais ou menos como o Poderoso Chefão, não sei porque demorei tanto para ir para a Chapada. E a viagem de carro foi maravilhosa do início ao fim. E curar a ressaca de reveillon na água gelada da cachoeira acho que limpou toda as "nhacas" do ano passado.

Nesse ano quero continuar a me conhecer e a me reconectar. Quero viajar mais, ler mais, fazer mais cursos e quem sabe delimitar mais um rumo profissional. Continuar no mesmo emprego? Estudar para concurso público? Montar um site? Abrir um negócio? Não sei, mas tenho aí um ano inteiro para entender.

E só de olhar a foto dessa cachoeira em Alto Paraíso já me deixa cheio de esperança de que esse ano vai ser ótimo!


 (* * *)
Livros de 2015
  • Não sou uma dessas - Lena Dunhan
  • Clarice - Benjamin Moser
  • Redoma de Vidro - Silvia Plath
  • Babas do Diabo - Julio Cortazar
  • Barba Ensopada de Sangue - Daniel Galera
  • MTV bota essa porra pra funcionar - Zico Goes
  • Caio Fernando Abreu - Morangos Mofados
  • Fim - Fernanda Torres
  • Sete Anos - Fernanda Torres
  • Put Some Farofa - Gregório Duvivier
  • Julie e Julia - Julie Powell
  • Pense como um Freak - Levitt e Dubner
  • Rua da padaria - Bruna Beber

Alguns dos filmes de 2015 que eu lembro (deu preguiça de encontrar o nome dos diretores)
  • Que horas ela volta
  • Only lovers left alive
  • Love
  • A colina escarlate
  • Preto Sai Branco Fica
  • Ata-me
  • Insubordinados
  • Descompensada
  • Ricky and The Flash
  • Divertida Mente
  • The Artist is Present
  • Mad Max - Fury Road
  • A história de Adeline
  • Teacher`s Pet (1958)
  • Cake
  • Iris
  • Cowspiracy
  • Mr. Angel
  • A vida privada dos hipopótamos
  • Advanced Style
  • Advantageous
  • De mal a pior
  • Para se divertir ligue
  • Interior Leather Bar
  • Uma secretária de futuro
  • O Lobo de Wallstreet
  • O poderoso chefão i, ii e iii
  • Tiros na broadway
  • Sociedade dos poetas mortos 

Algumas das séries que eu vi em 2015
  • Breaking Bad
  • Master of None
  • Jessica Jones
  • American Horror Story Hotel
  • Modern Family
  • Transparent
  • House of Cards
  • Grace and Frankie
  • Girls
  • Looking
  • Orange is the New Black

Exposições de arte
  • Cru - - Comida, Transformação e Arte - CCBB
  • Deitei para repousar e ele mexeu comigo - Fábio Baroli - CCBB
  • Sociedade Cavalieri - Caixa Cultura
  • Novos Talentos Fotografia Contemporânea no Brasil - Caixa Cultura
  • Brasília 12 Ateliês - Caixa Cultural
  • Brasília Utópica e Lírica - CCBB
  • Bracher - Pintura e Permanência - CCBB
  • Chão de Flores - CCBB
  • León Ferrari – Resistências e Transgressões - CCBB
  • Ciclo – Criar com o que Temos - CCBB
  • Fotografia Modernista - Museu Nacional
  • Raquel Nava - 205 Norte

Shows
  • Tom Zé
  • Rosa Passos
  • Céu
  • Morrissey
  • Dê Um Role
  • Tiê

Teatro e dança
  • Contrações
  • Cássia Eller - Musical
  • Contra o Vento - Musicaos
  • Ritmo em Forma Silenciosa
  • Fio a Fio