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6 de março de 2022

Bolinho de aveia


Virei um fã de aveia. Compro um pacotão de aveia em flocos finos e coloco em potes de vidro e uso em muitas coisas no meu dia-a-dia. Faço panquecas de tapioca, aveia e banana alguns dias na semana e descobri uma receita de bolinhos de aveia com banana nesses links que o Chrome indica com base no histórico de busca. Achei engraçado que a receita original chama Baked Oats (aveias assadas) e parece que faz sucesso no TikTok, mas eu nem tenho no TikTok. Como eu já tinha todos os ingredientes em casa resolvi arriscar. Já fiz algumas vezes e sempre dá certo. Uso forminhas de silicone que parecem forminhas de papel de cupcake. Deixo esfriar, congelo e coloco em um saquinho no congelador, dura muitas semanas. Daí é só tirar uma hora antes e passar um café ou um chá. A receita é bem básica e dá pra variar bastante com extratos, frutas secas e castanhas. Já fiz sem bicarbonato ou fermento e dá certo também. Aliás, é praticamente infalível.


Bolinhos de aveia ou baked oats.

INGREDIENTES 
  • 1 xícara de chá de aveia (flocos grossos ou finos, acho que farelo funciona também)
  • 2 a 3 bananas maduras (costumo usar prata)
  • 1 ovo 
  • 2 colheres de sopa de iogurte (uso o caseiro que sempre faço)
  • 2 colheres de sopa de mel 
  • 1 colher chá de bicarbonato de sódio 
  • 1 pitada de sal
  • Uvas passa ou ameixa seca sem semente ou damasco seco picado ou castanhas picadas 
  • 1 colher de sopa de extrato de baunilha ou de cumaru (faço em casa com vodka e algumas favas e deixo por alguns meses em um vidro tampado esquecido no armário) ou raspas de laranja ou cacau em pó
MODO DE FAZER 
Pré-aqueça o forno a 180 graus. Bata no liquidificador ou mixer todos os ingredientes (menos as passas/castanhas e o bicarbonato) até ficar bem misturado. Misture as passas/castanhas e o bicarbonato com uma colher. Transfira a massa para forminhas e asse por 20 minutos. Rende 12 bolinhos.

11 de outubro de 2021

Panqueca de amora e banana




Nessa época do ano as amoreiras estão cheias e há várias espalhadas pelas ruas e casas. Ganhei algumas do jardim da minha sogra e resolvi colocar nessas panquecas que faço toda semana. São na verdade crepiocas de banana amassada com um pouco de aveia e acho que são melhores do que as panquecas de trigo que fazia antigamente. Eu não muito fã do gosto residual que fica nas crepiocas, mas com a banana amassada a receita fica perfeita. Basta amassar uma ou duas bananas (quanto mais pretinhas melhor), juntar um ovo inteiro, um pouco de aveia em flocos finos (uma colher de sopa), um pouco de tapioca (uma colher de sopa), uma pitada de sal, misturar bem e adicionar as amoras inteiras. Depois colocar em uma frigideira antiaderente com um pouco de manteiga e após alguns minutos virar com a ajuda de uma espátula, deixando assar por mais alguns minutos. Rende três ou quatro panquecas pequenas ou um panquecão. Ultimamente tenho preferido fazer um panquecão, pois é mais fácil.

22 de junho de 2021

Ovos no purgatório / Shakshuka



É gostoso falar shakshuka, mas é melhor ainda de comer. Significa simplesmente "mistura" no árabe do Magreb. Eu vi a receita em vários programas de televisão, mas é mais uma orientação. Fizemos um molho de tomates assados, congelamos e resolvemos fazer almôndegas com o molho para comer com pão no final de semana passado. Claro, sobrou muito molho, mas não o suficiente para uma grande refeição. Resultado: ovos no purgatório (ou shakshuka). Fiz a versão individual para um café da manhã mais diferente no meio da semana. Bastou esquentar um pouco do molho em uma frigideira pequena, quebrar um ovo com cuidado, colocar um pouco de sal, pimenta e ervas (tinha tomilho aqui em casa) em cima da gema, tampar por alguns minutos e pronto. Enquanto isso, cortei em tiras um pouco de pão e deixei na chapa de ferro com um pouco de manteiga. Depois é só colocar com cuidado em uma cumbuca e comer. E de repente nem parecia que eu estava em casa... Que delícia! Já que não dá para viajar na pandemia, o jeito é fazer comidas de outros lugares.

11 de fevereiro de 2021

Bolo de cenoura



Uma das coisas que tem me dado um pouco de paz nestes tempos de pandemia é fazer bolos. Minha mãe deve ter lido minha mente e me deu de presente uma forma toda rebuscada de metal. Para estrear o presente resolvi fazer um bolo que me lembra infância. É um bolo simples de cenoura com cobertura de brigadeiro, claro, do Panelinha. Mas mesmo que a receita seja simples, base de óleo, liquidificador, com esse formato meio rococó o bolo ficou muito charmoso. Mesmo com a cobertura grossa dava pra ver os desenhos na fatia. Eu fiquei com medo de que o bolo grudasse nos detalhes da forma e então caprichei quando fui untar, o que deixou algumas partes do bolo com manchas da farinha, mas ele descolou facilmente na hora de desenformar. Amei a forma farei ainda mais bolos, mas vou untar com mais cuidado. Esse bolo acabou rapidinho e comer ele com café foi um dos meus vícios nos últimos dias.

25 de janeiro de 2021

Bolo de banana



Um monte de banana muito madura e uma vontade de comer bolo. Resolvi fazer essa receita de bolo de banana da Rita Lobo e foi ótima! Em pouco tempo tinha um cheiro maravilhoso de bolo pela casa e agora temos merenda para vários dias. É ótimo quando aparece a disposição e a vontade de fazer um bolinho, parece que a casa fica ainda mais aconchegante.

26 de novembro de 2020

Focaccia - mais uma



Não é à toa que fazer pão ficou tão em destaque no começo da pandemia. É um processo muito prazeroso misturar os ingredientes, o cheiro do fermento ativado, a demora no processo. Fiz pela segunda vez a focaccia e dessa vez ficou ainda melhor. Untei e enfarinhei o papel manteiga, apesar de achar que não era preciso e fez toda a diferença. O papel soltou mais fácil e a base ficou crocante. Fiz um recheio mais simples: cebola crua, tomate, azeite, alecrim fresco e parmesão ralado. Ficou perfeita. Uma receita fácil que é apenas preciso um pouco de planejamento. E apesar de tudo, acho que ela fica melhor em temperatura ambiente, ainda mais gostosa no segundo dia. Aliás, a segunda focaccia ficou muito melhor do que a primeira e ainda mais bonita.

12 de novembro de 2020

Focaccia



Entrei na onda da panificação da pandemia, ainda que tardiamente. Resolvi fazer a focaccia sem sova da Rita Lobo. Não achei que fosse dar certo. A minha ficou 24 horas na geladeira para fermentar e não sovei nada, só a mexida inicial para incorporar os ingredientes. E em cima coloquei ingredientes que eu já tinha em casa. Caramelizei algumas cebolas em tirinhas, piquei tomate, queijo mussarela, ralei pimenta branca e coloquei sal. Não deu trabalho nenhum além de planejar com antecedência. Adorei e com certeza vou fazer mais vezes. Uma pena que mesmo com o papel manteiga grudou bastante, mas mais fácil do que se tivesse direto na forma. E deu para lanchar dois dias. Aliás, ela fica mais gostosa depois que esfria um pouco. Com certeza vou fazer mais vezes.

27 de outubro de 2020

Torta de abóbora



Eu adoro abóbora e tinha uma inteira aqui em casa há algumas semanas. Usei um pouco para a torta de abóbora e o restante assei em cubos com azeite, sal e alecrim. Nunca tinha feito uma massa para torta, apenas aquela de biscoito triturado e manteiga derretida. Gostei de fazer a massa, deixar descansar na geladeira, abrir e montar. O recheio ficou uma delícia, um sabor diferente dos doces de abóbora brasileiros. Abóbora é um negócio que é gostoso no doce e em preparações salgadas!

7 de setembro de 2020

Chapati, quiabos e babaganoush


Eu adoro comida árabe, ao menos a comida árabe que chegou aqui no Brasil. Nesses dias tinha poucas coisas na despensa e algumas beringelas que não durariam muito tempo na gaveta de hortaliças da geladeira. Decidi então fazer uma comidinha árabe para comer no happy hour aqui de casa. Fiz o chapati do Panelinha, basicamente farinha, água e um pouco de azeite. Bem simples e rápido. A massa é bem fácil de trabalhar. E para as beringelas decidi juntar várias receitas de babaganoush que vi. Colocar a beringela inteira direto na boca do fogão e girar para que queime por igual, depois assar em um recipiente coberto com papel alumínio por meia hora no fogo médio. E então deixar esfriar, tirar as cascas com a mão e esmagar a polpa com um garfo, juntar sal, azeite, pimenta do reino e pimenta síria. Pronto! Ficou perfeito e com aquele gosto de defumado maravilhoso. Receitas bestas, mas que me fizeram sentir bem. Fiz ainda uns quiabos chamuscados na panela de ferro, jogar eles inteiros na panela quente até ficarem todos queimados e depois junto um molho de limão, shoyu e alho. Engraçado que mesmo sem planejar foi uma refeição vegana. E tudo feito em casa.

26 de agosto de 2020

Chá



Eu adoro chá. Quando era pequeno chá era sinônimo de remédio. Chá de boldo para o estômago, chá de limão com alho para gripe, chá de erva cidreira ou capim santo para acalmar. Mas tinha o chá mate de saquinho para tomar quente ou de copo para tomar gelado. E só depois de adulto fui aprender que chá só mesmo o chá preto, verde ou branco, que são da mesma planta, mas em etapas e maturação diferentes. O resto é tudo infusão. Mas na verdade tudo é chá.

A primeira vez que vi uma loja de chá foi em uma filial que abriu aqui em Brasília com o nome impronunciável (Tee Gschwendner, tive que pesquisar no Google) e eu já era adulto. A loja era bem cara, nada amigável e eu não tinha dinheiro. Lembro de ver aqueles bules de metal meio chineses e achar muito bonito.

Há uns dez anos eu e meu marido fomos para Buenos Aires e pela dica de uma amiga fomos na Tealosophy e aí sim eu entendi o que era chá. A loja era maravilhosa, cheia de latas enormes de chá que os vendedores abriam e nos deixavam sentir o aroma, as cores e tudo mais. Até hoje preparo meu chá com uma colher furadinha que comprei lá. Sempre que alguém vai a Buenos Aires peço para me trazer um pouco. E em todas as vezes que voltamos sempre passamos por lá. Ainda tenho uma latinha com um pouco de Royal Fruit bem velhinho, mas que tenho dó de acabar.

Pouco tempo atrás abriu a Tea Shop aqui perto de casa e a sensação me lembrou um pouco a Tealosophy. Comprei vários chás lá e agora na quarentena aproveitei uma promoção na loja online e comprei vários outros. Reutilizei várias latas antigas que tinha para colocar os chás novos. 

Todos os dias preparo um pouco de chá enquanto faço algo para comer no café da manhã. Deixo em um copo térmico de porcelana e tomo quando começo a trabalhar no computador. Antes da pandemia eu tomava no caminho para o trabalho, já que no carro tem um porta-copo perto da marcha. Mas é bem melhor tomar tranquilamente aqui em casa.

Eu não ligo muito para os minutos indicados na embalagem. Eu sei que o chá preto pode ficar mais tempo em infusão do que o verde ou o branco, mas eu deixo na infusão enquanto termino de preparar as outras coisas do café. Eu adoro a sensação de tomar chá, principalmente esses com folhas soltas. 

De vez em quando uso a mesma colher de infusão para colocar chá no gin. Fica uma delícia, bem refrescante. Não funciona com todos, mas já escolhei os melhores. Aproveito e coloco algumas especiarias na mesma colher de infusão, que daí não entope o canudo.

(Esse aí da foto é um chai da Tea Shop misturado com o restinho de um chai da Tealosophy. Eu adoro esses pedaços de laranja seca. E a colher de infusão ao lado. Gosto mais dessas do que aquelas bolinhas de tela).

20 de agosto de 2020

Cafés


Desde março todos os cafés que eu tomo foram feitos aqui em casa. Não tem cafézinho do escritório, não tem ida ao café charmoso, não tem café de padaria. Eu compro dois tipos aqui pra casa, um café moído simples e um café em grão. O simples eu tomo durante a semana no começo da tarde, pra lembrar um pouco o café do escritório. O moído eu tomo no final de semana pra dar uma sensação de algo diferente. Eu preparava sempre na prensa francesa, mas fiquei um pouco enjoado e resolvi usar novamente a italianinha, tanto para o café simples quanto para o mais elaborado. Ultimamente estou só com a italianinha, mas daqui a pouco eu canso e volto para a prensa. E depois posso usar o filtro de papel ou o de metal também, que não gosto muito. Tenho tentado tomar café só uma vez ao dia, de manhã tenho tomado chá.

18 de agosto de 2020

Café com leite


Esses dias sobrou um pouco de leite aqui em casa. Em geral não tomo café com leite, uso o leite para fazer iogurte ou outras receitas (purê de batata, panqueca, pudim). Lembrei que tem muito tempo que não tomava café com leite. Resolvi então fazer um café normal na cafeteira italiana, esquentar um pouco de leite até quase ferver e depois usar um batedor de claras para deixar o leite mais cremoso. Parece complicado, mas se colocar o leite quente em uma caneca larga e usar o batedor de claras com as duas mãos fechadas, quase que da mesma forma que esquentamos as mãos quando estamos com frio, o batedor gira de uma maneira bem rápida e tranquila e em uns dois ou três minutos o leite morno já virou uma espuma, sem precisar de máquinas complicadas e caras. Ainda coloquei um pouco de canela e pronto, eu tinha um capuccino ou um café latte melhor do que de muita cafeteria chic. 

10 de agosto de 2020

Café


Eu adoro café, tomo todos os dias. Eu tomava quase sempre feito na prensa francesa, mas daí lembrei que no fundo do armário tinha algumas da italianinha em dois tamanhos diferentes. Resolvi voltar a usar e tem sido uma boa surpresa. Lavei bem, esfreguei e tenho experimentado com cafés e moagens diferentes. Mas a italiana é muito prática. É bom variar, experimentar, ver tipos de café, moagens. 

E aqui em casa só eu tomo café, meu marido nunca toma. Então o café é só pra mim.

Adoro o cheirinho de café recém passado...

7 de agosto de 2020

Temperos


Eu adoro temperos e quase sempre comprava na feira aqui perto, com aquelas medidas de copo grande ou pequeno. Com a pandemia resolvi comprar pela internet e como o valor para frete grátis era alta, acabamos compramos várias. E então chegaram e foi preciso arrumar a despensa. Foi uma trabalheira, mas valeu a pena. Agora temos vários temperos, bem organizados. E faz tanta diferença ter vários temperos e especiarias para usar. No meio da arrumação um pote de canela caiu no chão e agora a cozinha inteira tem cheiro de canela.

3 de agosto de 2020

Panqueca americana (pancake)


Eu adoro panquecas americanas. Aliás, eu adoro todas as panquecas e crepes, doces ou salgados. As panquecas americanas eu sempre via nos filmes da Sessão da Tarde e do Cinema em Casa, mas não era algo que fez parte da minha infância. Depois de adulto eu vi em algumas padarias e cafés e aí sim consegui experimentar. Agora na pandemia resolvi testar uma receita da Rita Lobo. A única adaptação que fiz foi usar iogurte caseiro ao invés do leite, pois sempre tenho iogurte em casa, um ciclo eterno de usar o restinho do iogurte como isca para o próximo. A primeira vez que fiz rendeu muita panqueca para duas pessoas, resolvi fazer a metade e foi o ideal, três panquecas pequenas para cada um.

Comprei uma frigideira antiaderente com os selinhos do Pão de Açúcar e realmente facilita muito a vida, nem precisei de espátula para soltar e virar as panquecas. E misturei os ingredientes com uma colher mesmo ao invés de usar o liquidificador ou o mixer, pois a quantidade é pouca. Já fiz com extrato de baunilha caseiro, com raspas de laranja e sem nada. E já usei doce de leite, mel ou geléia, além de algumas frutas cortadas (banana, morango, maçã) e sempre fica uma delícia. 

As panquecas ficam bem fofinhas pelo uso de fermento químico e um pouco de bicarbonato de sódio e como o iogurte tem uma leve acidez talvez tenha contribuído para ficar ainda mais fofinho na reação com o bicarbonato.

Mesmo na quarentena eu me senti naqueles café da manhã de hotel. E o melhor, tudo feito em casa.

25 de julho de 2020

Butter Chicken


Tem um prato que adoro fazer em casa e me dá uma sensação gostosa de comida que alimenta não só o corpo. O butter chicken é um prato indiano bem simples, feito com peito de frango em cubos, manteiga, creme de leite e massala (um tempero indiano parecido com o curry, feito com várias especiarias tipo gengibre em pó e vários outros, cada família faz de um jeito). É mais ou menos como um estrogonofre de frango, só que indiano.

É simples e não precisa de muito planejamento. A única diferença com a receita original que peguei é que não passo o molho na peneira, gosto mais rústico. E uso um mixer de mão direto na panela. E não trituro as castanhas, só corto grosseiramente com a faca em pedaços menores.

Aqui em casa tínhamos ainda um restinho de arroz basmati, um tipo de arroz indiano que tem um leve aroma de jasmim. Fiz de acordo com a receita da embalagem. É preciso deixar de molho por vinte minutos e fazer com algumas especiarias (cardamomo, canela e cravo). Fica muito gostoso, mas um arroz normal tipo agulhinha já fica ótimo como acompanhamento. Por cima ainda colocamos um pouco de batata palha, pra dar uma cara de estrogonofre.

Agora na quarentena a gente tem feito muito estronofre (no estilo da década de 90, com cogumelo em conserva, ketchup e creme de leite de lata) e o butter chicken.

20 de julho de 2020

Milho


Tem algo ancestral de pegar as espigas de milho, debulhar e fazer um bolo. Mas é preciso agir logo, milho verde em espiga não dura muito tempo. Fiquei na dúvida entre um cural e uma pamonha assada. Pensei que não queria ficar perto da panela muito tempo para mexer o mingau de milho até engrossar, além de não saber o que fazer com o bagaço de milho, se faria uma farofa ou apenas refogar. Milho são muitas possibilidade. Fiz então o bolo de pamonha do Panelinha. Debulhar, misturar tudo no liquidificador e depois assar. Só precisei fazer algumas adaptações, pois o milho debulhado rendeu mais do que a receita pediu e eu queria usar o milho todo. A sala de repente ficou com um cheiro maravilhoso de pamonha para deixar a tarde de domingo um pouco mais acolhedora para o começo da semana. Comer o bolo ainda morno com um café recém passado é uma das melhores sensações. Fazer bolo no final de semana deixa a vida um pouco menos áspera.

9 de julho de 2020

Torta de limões à mão


A casa dos meus pais parece um sítio com várias árvores frutíferas. Nesta época do ano o pé de limão galego (ou limão cravo ou capeta, o nome depende da região do país) está repleto. Quando eu era pequeno não gostava muito do limão galego, achava que ele tinha algum problema, pois a casca dele tem alguns pontos secos, como se fosse uma doença de pele. Anos depois descobri que ele é uma mistura entre tangerina e limão feita na Índia no século XIX. Será que pegaram o pólen de uma planta e colocaram na flor de outra? Hoje em dia adoro esse limão e ganhei uma sacola cheia da casa dos meus pais.

Na quarentena tenho notado essa minha reconexão com várias coisas, inclusive com minha infância e meus pais. Eles ainda moram na mesma casa que nasci e cresci. Fiquei um tempo sem ir lá por causa da pandemia, tinha medo de levar o vírus para eles e então nos falamos todos os dias pelo telefone. Mas com a piora da saúde do meu pai tenho ido mais lá, sempre com máscara.

Fizemos caipirinha e tenho usado os limões para finalizar alguns pratos, dar aquele toque ácido no final do preparo. Ainda tem um monte, então resolvi fazer aquela boa e velha torta de limão.

Tem poucas coisas na nossa despensa e eu não havia me planejado para fazer torta. Não tinha biscoito maizena para a base, por exemplo. E nem ovos ou manteiga sem sal para fazer a base. Pesquisei um pouco e achei uma base com tâmaras, coco ralado e castanhas e tinha tudo aqui em casa. Como meu marido trabalha da sala e estava no meio de uma videoconferência, não quis fazer barulho. Mas a torta precisa gelar e não podia adiar muito. Decidi fazer tudo na mão, sem nada elétrico.

Piquei as castanhas, tirei os caroços das tâmaras, juntei o coco ralado. Piquei muito. Demorou um bocado, mas é uma experiência boa. Junta e pica. Junta e pica. E de novo. Não virou uma farinha, mas ficou pequeno o suficiente. Virou uma massa mesmo. Coloquei na forma de fundo removível e fui para a segunda parte. Eu fazia tanto essa torta quando era pequeno que nem preciso de receita.

Eu estudava de manhã e depois do almoço assistia o Jornal Hoje com meus pais. No final de uma edição lá em 1995 ou 1996 mostraram a receita de uma torta de limão, que na verdade é uma base de biscoito triturado com manteiga e um mousse de limão. Fiz a torta e todo mundo gostou, meu irmão disse que parecia cheesecake, mas na época eu não tinha comido ainda cheesecake. E virou a torta que eu sempre fazia, além do brigadeiro de sempre e do pudim de leite feito no microondas. Até hoje fazem essa torta de sobremesa na casa dos meus pais. Talvez desde aquela época eu não fazia.

E hoje foi bom sentir essa reconexão e fazer tudo na mão, quer dizer com a faca e um batedor de claras.

Tomara que o limão galego tenha dado um toque diferente pra torta. Coloquei um pouco de limão tahiti também para dar mais um pouco de acidez. Engraçado que essa torta só funciona com limão, maracujá e cupuaçu, só com frutas bem ácidas. Tentei fazer com morango e não deu certo. Agora ela está na geladeira para endurecer.

7 de julho de 2020

Café da manhã junino


Ainda está na época de festa junina, apesar de já estarmos em julho. Acordei com vontade de comidas típicas de arraial. Fiz um cuscuz com ovo, canjica (ou mugunzá) e umas frutas. Em tempos de quarentena é um pequeno afago fazer um café da manhã mais caprichado, mas pensado. Mesmo que tenha sido só para mim. E estava uma delícia. Tenho ficado cada vez mais caprichoso na cozinha. Cozinhar é prática mesmo.

26 de junho de 2020

Faca


Tenho gostado muito de cozinhar durante esse período de quarentena. Comprei algumas coisas novas de cozinha pela internet e uma delas foi uma faca de chef de oito polegadas. Ela tem uns 30 centímetros, é enorme, bem afiada e de um peso bom, nem muito leve nem muito pesada. Tenho gostado muito de usar essa faca para cortar os legumes e tudo mais e me sinto muito experiente na cozinha com ela, apesar de estar longe disso. Ela é bem maior do que as outras facas que temos aqui e acho que foi uma ótima aquisição. Cozinhar é experiência, então espero melhorar cada vez mais.