
Agosto começou quente e seco, como em geral são os agostos. Mas depois da temporada de frio sempre fico desacostumado com o calor e a secura. Gosto do frio e o inverno tem durado muito pouco, apesar de que no calendário ele deveria ir até o final de setembro. Aliás, impossível colocar apenas quatro estações em todos os lugares do mundo. Talvez seja também imposição da colonização, como praticamente tudo o que vivenciamos aqui nos países periféricos. De qualquer forma não troco esse país latino-americano por nada, mesmo com todos os muitos problemas. Agora é me reacostumar com o calor de mais de trinta graus e o que facilita são os melhores finais de tarde do ano, cheios de cores lindas. Todos os dias, independente da estação fictícia do ano, termino de fazer as atividades do meu trabalho (ou as coisas de casa) e adoro ver o por-do-sol da janela de casa. É como se eu morasse em um mirante privativo. Já são anos aqui e não me canso. É como se a paisagem aqui da janela fosse mágica, como se esse céu fosse diferente do céu de outros lugares, apesar de ser o mesmo céu. É como se ele fosse o meu pedaço de céu. Gosto de ver o movimento das nuvens, a gradual mudança das cores e as luzes dos postes e das casas que começam a se preparar para a noite.
