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12 de fevereiro de 2012

Encaixote

Minha vida cabe em caixas. Bem, claro que não cabe, mas esse encaixote me fez perceber que não se precisa de muita coisa. Ou melhor, claro que se precisa, mas não dá pra levar tudo. Tendo essa limitação em mente, foi difícil escolher os livros, os discos, os filmes e as coisas imprescindíveis. Então com esse limitador - e põe limitador nisso - tive de escolher o essencial do essencial. Mesmo assim ainda levo uma ou outra coisa inútil, como por exemplo a televisão. Não gosto de assistir, mas ela foi cara (apesar de ser uma das mais baratas). E bem, vai que ela uma hora vem a calhar? Coube numa mala grande, junto com isopor e um edredon antigo pra dar uma amortecida. Espero que chegue!

Engraçado é que deixar pra trás coisas que guardo ainda da adolescência não tem sido tão doloroso quanto achei que seria. Sinto mais leve. Bem, até a próxima mudança, quando terei juntado de novo um monte de tranqueiras.

2 de fevereiro de 2012

Viajero

Eu sempre gostei de viajar. Quando eu era pequeno, a cada semestre meus pais enchiam o carro de coisas, colocavam eu e meus irmãos e viajávamos dois ou três dias de carro. Conhecemos o nordeste pra visitar uma parte da família, íamos para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e até Paraná. Eu sempre adorei essa viagens de carro, pois era sempre ótimo reparar a paisagem mudar pelas janelas. E foram rodovias esburacadas, estradas de terra, atoleiros, hotéis de beira de estrada. E apesar de curtir essas viagens, eu sempre enjoava muito. Então foram muitas paradas para vomitar! Faz muito tempo que não viajo de carro, a maioria das vezes fui de avião. Horas de espera, voos atrasados e de vez em quando um enjôo quando acontece uma turbulência mais forte. Se um dia eu ganhar muito dinheiro, não quero carrões ou mansões. Quero viajar pra lugares distantes, conhecer a Índia, a Rússia, as Ilhas Maurício, Galápagos, Copenhague, Japão, Peru, Groelândia, Islândia e vários outros lugares. Se eu pudesse eu só viajava!

1 de fevereiro de 2012

De volta ao tronco, com frio na barriga

Voltar ao batente não tem sido fácil. Ainda mais agora que foram dados os primeiros passos para a mudança -aliás, eu não lembro de ter sentido tanto frio na barriga. Mas vou trocar tudo o que é certo profissionalmente, por algo completamente novo para mim, o que pode ser um movimento certeiro, mas pode dar tudo errado, daí o danado do frio na barriga ou das borboletas no estômago.

Ao mesmo tempo, o que me tranquiliza é que sempre posso apertar o botão "desfazer" e voltar para cá, mantendo meu emprego.

A verdade é que eu ainda não me conheço, pois achava que era alguém que gostava de estabilidade e previsibilidade, mas percebo que curto um pouco de aventura, de incerteza, de renovação.

Dizem que alguns períodos na vida são mortos, quer dizer, aparentemente inúteis, mas eles servem para ligar dois períodos mais vivos, mais intensos. Vamos ver o que acontece!

31 de janeiro de 2012

Querer

Eu tive a sensação de ter perdido meu caminho há alguns anos. Ainda não sei pra onde ir, sei que quero chegar em um ponto em que eu tenha um emprego interessante, talvez na área de direito ambiental, talvez direito de família. Não preciso ganhar muito dinheiro, o suficiente para pagar o aluguel de um pequeno apartamento em uma parte tranqüila de uma cidade que não seja a minha. Quero me sentir livre, sem tantas amarras a uma cidade ou a um emprego. Quero morar um tempo no exterior, por mais que seja sofrido, mas também viajar de férias ou a trabalho para diversos lugares. Quem sabe em um país da América Latina, da Europa ou mesmo na Oceania? Quero uma vida mais saudável com menos carro, mais comida natural e mais exercícios físicos. Quero mais tranquilidade para tomar minhas decisões. E principalmente, não quero desistir se todo esse querer, por mais difícil que seja seguir nesse direcionamento, por mais que seja mais prático e cômodo continuar no modelo de vida que já levo. Quero mudar, mas não quero deixar minha essência.

26 de janeiro de 2012

Desvios

Meu pai morou aqui na Argentina por alguns anos na década de sessenta. Imagino como seriam as coisas se ele tivesse decidido morar em Buenos Aires. Será que nossa vida seria muito diferente? Os planos econômicos teriam nos afetado muito? Eu leria mais Cortázar? Comeria mais empanadas? Gostaria de futebol? Teria seguido a mesma faculdade e a Pós que fiz? Ia ser ótimo se acontecesse como nos filmes e fosse possível ter uma idéia de como eu seria se tivesse nascido portenho!

23 de janeiro de 2012

Velocidade

Claro que eu gosto de velocidade. Por mim eu clicava nas coisas e tudo já abriria no mesmo segundo. Mas tanto meu computador quanto meu celular têm três, quase quatro anos e já não estão assim essa maravilha de tecnologia. Mas isso não quer dizer que estejam ruins. Aliás, muito pelo contrário. Aprendi a conviver com esse atraso de alguns segundo e relaxar com esse negócio de querer sempre estar com o último modelo.

22 de janeiro de 2012

Eu já nem me lembrava como era dormir sem a boa e velha dor nas costas. Ela veio assim de mansinho e quando percebi já estava ali toda instalada, morando comigo, indo para todos os lugares, pro bar, pro mercado. Uma companhia bem incômoda e que não me deixava prestar atenção em mais nada. Era como se eu estivesse ali, mas minha cabeça bem longe, na terra das máquinas de dentista e das outras dores agudas, daquelas que não doem tanto, mas não passam. Dor muscular? Será? O Dr. passou um relaxante para os músculos. Será? De repente não tinha mais nada lá, apenas eu e meu corpo. Engraçado como só se dá valor a essa sensação de não sentir nada depois de um tempo sentindo dores. E então me vi como um viciado em morfina do começo do século passado. Ok, uma morfina light, aliás, uma não-morfina, no máximo um paracetamol, mas o importante era finalmente sentir-me relaxado. Até sorri assim sem motivo.

6 de janeiro de 2012

Amigdale

E da noite pro dia acordo sem garganta. Uma bola de pus e dor no seu lugar. E sem conseguir tomar nem água ou respirar. E podendo fritar um ovo na testa. Me senti instantaneamente transformado em um velhinho de 102 anos. Sorte que eu não estava sozinho! E fui cuidado, paparicado e medicado com antibiótico, antiinflamatório, antipirético e mais outros vários "anti". Eu só quero minha voz de volta. E minha garganta do jeito que ela era!

4 de janeiro de 2012

Seguir

Acordar, arrumar tudo, lavar os lençóis, as roupas e tudo, aproveitar o sol que depois de tanto tempo resolveu aparecer. Tenho dias que me sinto uma dona-de-casa daquelas de antigamente, só me falta colocar um lenço na cabeça, um avental e sair limpando tudo pelo caminho!

3 de janeiro de 2012

Caminho

Eu nunca me senti tão maduro. Nesse último ano escolhi fazer algumas coisas para o meu bem-estar. Nutricionista, terapeuta, academia, Pós-graduação. Foi a primeira vez que morei sozinho, que fiz minha comida, tive meus horários. Foi a única vez que tirei um dia inteiro pra ficar triste e não fazer nada. Aprendi a conviver com meu silêncio, com minhas vontades, com minha bagunça (e com a arrumação dessa bagunça). E tudo isso me serviu para me preparar para a grande mudança da minha vida até agora: a mudança de cidade, de trabalho, o desapego e o amadurecimento. Tem dias que acordo morrendo de medo. Mas tem outros que sinto que esse é o passo mais certo que devo tomar. De qualquer forma o frio na barriga é uma constante nesses dias, mesmo nessas férias tranquilas em que dormimos até mais tarde, assistimos filmes, tiramos cochilos de tarde, passeamos pela cidade. O frio na barriga talvez nunca passe, talvez seja o que me faça querer mudar sempre...

1 de janeiro de 2012

Recomeço

Como começar? O ano ainda está em seu primeiro dia e resolvi não fazer nada, nem abri a porta. Tudo o que vi do novo ano foi o sol, as pessoas lá embaixo, uma chuva leve. Havíamos preparado algumas coisas para comer hoje, já que tudo estava fechado. Dormi, dormi muito. E amanhã quero recomeçar minha vida saudável.

23 de dezembro de 2011

Filho

Tinha muito tempo que eu não conversava com meu pai, quer dizer, mais do que um "oi, tudo bem? Como vão as coisas?". Resolvi puxar assunto com ele, como as plantas do jardim, que ele sempre cuida tão bem. E então ele me chamava pra ver uma que estava dando flor, outra que havia crescido muito, outra que estava quase morta e ele conseguiu fazê-la ficar forte. Quando percebi já estava comendo jabuticaba e pitanga, colhidas ali na hora. Eu me senti como se tivesse uns cinco anos de idade e vi como essas pequenas coisas são importantes para o meu pai. A jardinagem, a religião, as histórias de quando ele era pequeno e as viagens ao exterior. Sempre penso como vai ser difícil quando ele se for. A gente tem quase cinqüenta anos de diferença e mesmo assim nos damos bem, apesar das diferenças de ponto-de-vista. Ai, pai...

21 de dezembro de 2011

Natalino

Não está fácil evitar o mau humor nessa época de fim de ano. As pressões, as filas, os pedintes, as caixinhas dos flanelinhas, porteiros e entregadores, os presentes impessoais, a correria pra terminar tudo antes do recesso e o suposto clima de amizade e confraternização que invade todos os ambientes. A decoração brega por todos os lados também não facilita! O que me salva são as rabanadas, as desculpas pra tomar espumante sempre que possível e os vários dias de recesso. Pra mim Natal é isso: comer rabanada, beber espumante e dormir até mais tarde!

15 de dezembro de 2011

Baguncinha

Tenho aprendido a delícia que é poder deixar uma baguncinha pela casa. Eu moro só, não tenho empregada e sempre fui fanático por limpeza. Mas ultimamente resolvi curtir um pouco mais a preguiça e deixar umas canecas, copos e talheres sujos por um tempo. Antes tudo funcionava na base do sujou, lavou.

Nesse ano é a primeira vez que moro sozinho mesmo e foi quando eu me senti solitário, em que o silêncio, a calmaria e meu apartamento sempre limpo e impecável começaram a me incomodar.

E foi importante vivenciar tudo isso e perceber que eu dou conta. Que consigo viver sozinho e o apartamento não pegou fogo e eu não me joguei da janela. E nem fui encontrado duas semanas depois em avançado estado de decomposição (um dos meus maiores medos na velhice!).

Ok, ainda tenho mais alguns meses de solitude, mas vou dar conta! E cada vez com mais baguncinhas!

29 de outubro de 2011

Flores secas

Cada vez tenho mais vontade de ficar em casa. E percebi que gosto dos detalhes da vida nesse apartamento, como a maneira que o sol entra pelas janelas, o jeito meio antigo daqui, o nome brega, o tanto de gente perdida nesses quarto-e-sala. E olho as flores já meio murchas, meio mortas, meio secas, meio podres. Comprei-as há uma semana e meia mais ou menos. Amanhã elas vão pro lixo, junto com outras tranqueiras...

26 de outubro de 2011

Engov

Pareceu uma ressaca acordar depois de tantos dias bons ao seu lado. Fazia tempo que eu não me sentia tão ruim assim. Mas resolvi aguentar essas horas intermináveis no trabalho e arranjar força pra ir correr. E depois da corrida tudo pareceu um pouco melhor... E agora já penso nas tabelas, mailings e na preparação para as novas fases. Acho que essas ressacas fazem parte, o problema é que o engov nem sempre é fácil de encontrar.

21 de outubro de 2011

Frenético

A vida estava tão certinha: exercícios, alimentação balanceada, horas regulares de sono. Mas não dá pra seguir assim o tempo todo. É preciso um pouco de descontração! Estou aqui morrendo de dor de cabeça, azia e não dormi direito. E estou tão feliz de sair um pouco desse meu ritmo mecânico… Então acordei, olhei no relógio, mandei um email e resolvi curtir você mais um pouco.

20 de outubro de 2011

Em casa

E de repente é como se fosse de novo ano passado ou retrasado, a gente ali junto, dormindo, acordando, falando besteira. Aliás, já no aeroporto eu sinto como se fosse antigamente, como se fosse a volta de uma viagem a trabalho saindo de Brasília — e não uma viagem a trabalho a Brasília. Mas ao mesmo tempo tem sido essencial esse tempo em que estamos morando em cidades diferentes, pois é uma forma de conhecermos individualmente, de perceber que conseguimos nos virar sozinhos. E agora já sinto o frio na barriga com a proximidade do ano que vem. E que bom que tem esse frio na barriga! Mas por enquanto só conto as horas pra chegar de noite e estarmos juntos!

16 de outubro de 2011

Mudança já

Depois de ver minhas fotos publicadas no "I dig your sole man" (http://www.idigyoursoleman.com/2011/10/brasilia-sydney.html), percebi que preciso mesmo mudar. Perder alguns kilos, mudar de estilo, me vestir melhor. É ótimo poder ter a noção de um olhar externo sobre si mesmo e isso tem me dado muita força pra continuar nessa mudança. E já tem me aparecido alguns resultados!

6 de outubro de 2011

Planando

Sinto como se estivesse planando, sobrevoando sobre minha vida. E lá embaixo várias possibilidades, vários caminhos, como galhos de um tronco. E nenhum desses caminhos é errado ou irreversível. E nenhum tem garantia de que vai dar certo ou errado. Sinto como se eu estivesse à beira de começar a escolher melhor as decisões da minha vida, como se eu finalmente tivesse tempo para refletir sobre meus passos, e não simplesmente deixar tudo para o acaso. Chega de paraquedas.