3 de julho de 2026

Doente



Tinha tempo que eu não ficava doente. Mas então comi algo que não me fez, misturado com o cansaço e várias outras coisas. Não pude ficar de cama, mas foi complicado. Trabalhei normalmente, o dia não passava. Demorei uns dois dias para me sentir melhor. Não precisa de muita coisa para adoecer, percebi isso. E agora tento me alimentar melhor, arrumar meu corpo e minha cabeça. Envelhecer não é mole.

Em geral sou uma pessoa tranquila. Faço minha meditação, gosto de ler para relaxar minha cabeça. Mas de vez em quando chegam as caraminholas. Uma a uma. Em geral coisas bestas e que sozinhas seriam apenas um pensamento passageiro. Uma comparação com alguém da época da faculdade, uma possível obrigação, um cenário imaginário, um futuro distópico, um capitalismo tardio, uma possibilidade remota. Quando fiquei mal todas as caraminholas viraram gigantescas. Não cheguei a sentir um ataque de pânico ou de ansiedade. Consegui achar minhas âncoras no mundo real e voltei aos poucos, como uma escalada em uma montanha íngreme. Um passo de cada vez. Uma respiração de cada vez. Aos poucos a mente voltou a ficar silenciosa, sem tantos barulhos. É muito fácil enlouquecer, perder o juízo. E talvez seja importante mesmo pirar de vez em quando. Mas é ótimo voltar, ter âncoras ou guias para retornar. Respirar.

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