1 de julho de 2012

Santismos

O navio é realmente lindo. Cada espaço é pensado, cada detalhe tem um propósito. Conheci todo mundo da tripulação e da equipe. De noite festinha, cerveja e até um pouco de discotecagem do meu marinheiro favorito.

É tão bom ter uma praia assim pertinho. Por mais que não dê pra tomar banho, só de olhar pro mar, escutar as ondas, sentir a maresia, só isso já me basta.

Eu tava precisando escapar um pouco do cotidiano paulista, tomar café da manhã de hotel, andar na praia.

Nem parece que é inverno. Sol, céu sem nuvens e praia.

No ônibus de volta só penso que vamos poder voltar de mãos dadas. E que não vai ter uma viagem longa a trabalho por algum tempo.

30 de junho de 2012

Road trip

Subir a Augusta cedinho num sábado de manhã dá uma vontade de pegar uma cerveja e curtir o fim da balada com quem ainda está por ali. Mas eu não estava saindo de uma balada. Meu destino é Santos.

Depois de uma viagem de metrô até o fim da linha azul, bastava só torcer para que tivesse um ônibus partindo pro litoral na hora que eu chegasse no terminal.

E tinha. Não era da companhia que eu queria. Era um ônibus velho, lotado de velhinhas. Mas ok, tenho fones de ouvido, tenho uma seleção boa de músicas. Daqui a uma hora chego. Minha primeira "road trip" desde que me mudei pra cá.

Só quero ver o navio do Greenpeace, reencontrar meu amor e ver o mar.

E, claro, sair um pouco de São Paulo.

Daqui a uma hora espero estar de frente pro oceano!

28 de junho de 2012

M-m-m-mudanças

Estou mudando. É a primeira vez que sinto isso tão concretamente. Mudando, crescendo, amadurecendo, envelhecendo, enrijecendo, endurecendo, tudo assim no gerúndio, num gradiente talvez meio cinza ou talvez apenas menos infantil, menos colorido e aromatizado artificialmente.

Sinto um potencial que eu não conhecia. Até mesmo uma força minha.

Tive de me afastar do meu cordão umbilical, do mundo rosa, das facilidades. Tive de cair em um lugar quase inóspito. Caótico. Incrível.

Não é um processo fácil. Não posso ficar doente, não posso me dar moleza, não posso parar de seguir. Talvez amanhã eu acorde e ache tudo isso uma bosta, o que é bem possível. Mas quem sabe no dia seguinte eu volte a achar que é esse meu caminho. Aliás, independente de tudo, pelo primeira vez é o meu caminho. Afastado de todos e de quase tudo que é tão querido por mim.

Fiquei lutando tantas semanas pra conseguir um pouco de apoio, tentar reafirmar que estou no rumo certo. Mas ninguém pode me dar esse apoio, ninguém pode reafirmar nada. Só eu. E às vezes nem mesmo eu consigo me apoiar.

Agora é engrossar a voz, levantar a cabeça e seguir dando cabeçadas nessa cidade de loucos. Agora é comigo mesmo!

27 de junho de 2012

Argh!

Nunca me senti tão perdido e tão sozinho. Talvez seja parte do processo de amadurecimento. Talvez seja só um pouco de melancolia.

Tenho receio de me tornar frio, distante, engolido pela cidade.

Sinto falta de pequenas coisas familiares, de ter tempo para mim, fazer algum esporte, estudar, receber mimos e ter dinheiro para fazer mais coisas.

Mas conviver com todas essas restrições é necessário por enquanto. É bom ter me afastado da minha família e de quase tudo que estava sedimentado na minha vida. Eu precisava mesmo dar essa movimentada na vida, provar que sou capaz de passar por mudanças drásticas.

Só preciso não perder meu foco, não me abalar com esse monte de obrigações. Logo tudo vai estar mais claro.

26 de junho de 2012

Pés entrelaçados

Depois de tantos dias da sua viagem a trabalho ainda acordo e fico te vendo dormir, só pra ter certeza de que você está realmente ali do meu lado.

E os pés entrelaçados na hora de dormir? E eu roubando toda a coberta? E você dormindo com um cachecol e um gorro boliviano? E chegar do trabalho e te encontrar em casa com o cabelo recém-cortado?

Ainda fico besta com nosso cotidiano juntos. Depois de tanto tempo ainda me vejo completamente apaixonado por você.

22 de junho de 2012

Alguns anos a menos ou a mais

Eu devia estar mais ou menos com uns quarenta e cinco anos. Trabalhava o dia inteiro, ia pra casa, comia, via televisão e dormia cedo para acordar bem para mais um dia de trabalho, casa, comida, televisão. Então lembrei que eu não tinha nem trinta anos. Ou poderia ter ainda menos.

Um show assim no meio da semana, desses de bandas de garagem com o público reduzido a amigos dos membros da banda. Minha vontade era de ligar pra minha amiga, inventar uma desculpa e ir dormir cedo.

Contrariando todos os meus impulsos, tomei banho, me arrumei e fui. Cheguei lá e eu já estava com uns vinte e um anos. Tomei cerveja de balde, ri, lembrei da época de adolescência, ouvi músicos divertidos e que não estavam ligando para tocar bem, mas só se divertir.

Duas da manhã, levemente alcoolizado e feliz. Taxi pra casa, sozinho. O trânsito fluindo, a cabeça a mil, um sorriso. Por que eu fui perder isso de me divertir? Como fui envelhecer tanto?

Alarme toca às sete e pouco, a cabeça dói e a vontade é de ficar embaixo do edredon. Não estou mais com vinte e um, mas também não tenho quarenta e cinco.

14 de junho de 2012

Click

Não tem porque ficar nesse esquema de casa ao trabalho, do trabalho pra casa. Hoje resolvi escapar, dei uma volta depois do expediente, cortei o cabelo e percebi como a cidade é bacana. Foi como se desse um click em minha cabeça, como se eu parasse de olhar pro chão e visse o céu, o horizonte.

3 de junho de 2012

60 dias

Dois meses de São Paulo. Dois meses longe de casa ou dois meses em casa? Aprendi a gostar daqui, com a multidão, o sotaque, a pretensão, os preços. Uma semana sozinho, um apartamento vazio e vazio. Vazio de móveis, vazio de você.

Mas até hoje gosto de abrir a janela e observar o horizonte cheio de prédios e luzes. Ainda me tira o fôlego. Gosto de abrir a porta e dar de cara com a porca, a cachorra e o veado. Gosto de falar com o porteiro e ele me desejar bom descanso. Gosto de descer do metrô e dar de cara com a Avenida Paulista, ver as performances, os executivos, os adolescentes, os trabalhadores. Gosto de descer minha rua, ver os casais de mãos dadas, os bares cheios, o shopping. Gosto de caminhar todo dia mais de meia hora na ida e outra meia hora na volta. Gosto de sentir que estou emagrecendo, mesmo sem estar na academia. Gosto de não precisar pedir dinheiro aos meus pais. Gosto de pela primeira vez trabalhar como advogado.

Mas, claro, uma série de coisas que não aprendi a gostar. A principal delas, a danada da distância. A distância da minha familia, dos meus amigos, dos lugares que vou desde pequeno, do desenho de avião, da seca, dos sorvetes de frutos do cerrado, do bar árabe, do eixão e dos eixinhos, das quadras, dos prédios de caixinha, do lago, das árvores tortas, dos ipês floridos.

Não fiz amigos paulistas ainda. Sou muito fechado e detesto me sentir pedindo favores. Fico na minha bolha, passeando sozinho pela cidade, assistindo filmes em casa, indo a pé para o cinema, para o museu, caminhando por ai, sem rumo, escutando músicas. Vou ao parque com um livro e me sinto um pouco como um aposentado lendo em um banquinho. Detesto ir sozinho a restaurantes, mas tenho ido a alguns aqui perto, escolho sempre algo diferente.

Sei que poderia estar ainda em Brasília. Poderia ter tentado mudar de emprego lá. Mas aqui a mudança faz ainda mais sentido. Estou feliz como resultado desses dois meses. Da dificuldade no começo, da alegria de ter conseguido um emprego em um escritório bacana, de aprender a andar pela cidade e entender os caminhos, não ter carro.

No fim acabo percebendo que tudo gira, tudo muda, mas acaba sendo a mesma coisa.

31 de maio de 2012

Commuting

Essa vida sem carro tem sido boa. Já faz quase dois meses que só tenho usado transporte público e não sinto falta de ter meu carro. Quer dizer, tenho saudade de chegar em 15 minutos ao trabalho, mas isso não ia acontecer aqui em SP.

O bom de ser pedestre é não se preocupar muito durante o percurso. Levo quase uma hora de casa ao trabalho, mas nesse tempo, além de caminhar ate a estação de metrô, ainda posso olhar meus emails, as redes sociais e ler um livro em ePub, tudo isso escutando música. Acho que nunca usei tanto meu celular.

Nunca mais soube o que é procurar vagas, pagar estacionamento, ficar engarrafado, encher o tanque, pagar seguro ou imposto do carro. Em compensação, sei tudo sobre cartão fidelidade do metrô e bilhete único, linhas, baldeações, catracas.

E quando não rola metrô ou ônibus, sempre passa taxi pra me quebrar um galho.

Acho que nunca vou ter carro nessa minha vida paulista.

29 de maio de 2012

Solo

Pela primeira vez fico sozinho em São Paulo enquanto você viaja a trabalho. O apartamento fica gigantesco, o colchão parece frio, a cidade fica ainda mais cinza.

Tenho aprendido a me virar por aqui, andar pelos cantos, visitar lugares. Sinto falta de Brasília, sinto falta da minha família, meus amigos e de você.

Tiro esse tempo pra mim, pra pensar no rumo que minha vida tomou, enxergar outras possibilidades nessa cidade, enfim, aprendendo a me virar por aqui.

27 de maio de 2012

Quem diria

Ainda não sei como vai ficar minha vida. Não entendi direito o rumo que ela está tomando, mas de qualquer forma é completamente diferente do modo como imaginei. Acho que isso é algo bom, surpreender-se com o curso das coisas e não simplesmente viver um dia após o outro.

É engraçado definir-me como advogado. Claro, fiz faculdade de direito, passei no exame da ordem e trabalho em um escritório de advocacia. Advogado. Quem diria!

22 de maio de 2012

Nunca se está satisfeito

A visa em São Paulo é bastante corrida, as horas do dia passam numa velocidade impressionante.

Essa correria já faz parte do meu dia aqui. Ir ao metrô, enfrentar a multidão, caminhar até o trabalho e trabalhar, trabalhar, trabalhar, caminhar, enfrentar a multidão e voltar pra casa.

Adoro descer do metrô, andar pela Paulista, resolver várias coisas a pé. Adoro o apartamento, os bares, os restaurantes, as baladas e nossa vida junto.

Sinto que aqui vou crescer muito tanto profissionalmente quanto pessoalmente.

Mas hoje acordei com tanta saudade de Brasília. Da vida tranquila, das árvores tortas do cerrado, das ruas largas, dos prédios harmoniosos, das comerciais, da minha família, da casa dos meus pais, do emprego estável.

Essa saudade vai ficar sempre comigo e até me faz esquecer que toda essa tranqüilidade e calmaria foi um dos motivos que me deram força para buscar algo novo em minha vida.

Então chega de saudosismo e vamos continuar tocando a vida por aqui!!!

17 de maio de 2012

Trabalho e casa

Eu nunca soube direito o que um advogado ambiental faz. E então me vi trabalhando em um grande escritório, mesmo sem ter experiência. E estou gostando, apesar de não saber ainda como é realmente o trabalho. Espero que eu dê conta!

No mais a vida está boa. Às vezes abro a janela da sala, do décimo-primeiro andar do prédio, e vejo a linha do horizonte, as nuvens, o mar de edifícios.

E tem um shopping aqui perto. Ver um filme no meio da semana e voltar caminhando tranqüilamente pra casa é algo completamente impossível em Brasília, mas agora passa a ser normal na minha vida em São Paulo.

Começo a me acostumar mais com o metrô também. Caminhar até a estação, pegar o metrô, depois caminhar da estação até o escritório. Só é ruim quando chove.

Mas a vida está boa!

13 de maio de 2012

E amanhã?

A partir de amanhã eu realmente começo a vida aqui em São Paulo. No caminho de volta de Brasília, só eu e minha mãe no carro, pensei em como minha vida mudou, conversamos sobre essas mudanças, tanto na minha vida, quanto na dela quando chegou em Brasília.

Agora sim acho que acabou minha adolescência. Amanhã começo no primeiro emprego adulto da minha vida, desses de terno e gravata. Nem sei ainda o que esperar.

A viagem pra Brasília foi ótima para rever tantas pessoas importantes na minha vida, curtir família, amigos, rever lugares. Nesse fim de semana inteiro tive menos horas de sono do que em uma noite normal.

Foi bom voltar pra São Paulo também. No caminho pro apartamento percebi como gosto daqui.

E amanhã como vai ser? Como eu vou me sentir? Como vai ser o trabalho? Sei lá. Vou tentar dormir que é o melhor que faço.

12 de maio de 2012

Casas

Foram tantas mudanças em tão pouco tempo. Primeiro, consegui o emprego. Mandei meu currículo para tanta gente, tanta gente o repassou, mas tive apenas um retorno. Não achei que em um pouco mais de um mês eu fosse conseguir um emprego na área que quis e em um lugar que nunca imaginei trabalhar, um escritório gigantesco e de renome.

Mas consegui! Espero que dê conta!

E um pouco depois voltei pra Brasília para visitar minha familia, uma viagem rápida de dois dias. Pela primeira vez aqui não é minha cidade. É apenas a cidade que nasci e onde mora minha família e amigos. Minha cidade agora é São Paulo, onde moro e trabalho, mas ao mesmo tempo também não é minha cidade.

Estou como numa limbo, numa sensação de não pertencer a lugar nenhum. Mas de qualquer forma, agora quando penso em casa, penso no apartamento lá de São Paulo. Aqui é a casa dos meus pais, a casa que nasci. Lá é a casa que escolhi morar, a casa que moramos juntos.

6 de maio de 2012

Lar doce lar

São Paulo cada vez mais se torna minha casa. Já conheço algumas ruas, alguns pontos, algumas direções. E minha home sweet home está cada vez mais doce, apesar de não ter praticamente nada.

Adoro as caminhadas até o metrô, subindo a Frei Caneca ou a Augusta, pois encontro sempre uma lojinha interessante, alguém com uma roupa bacana, um grafitti ou stencil divertido nos muros. Começo a perder um pouco o olhar de turista e me encaixar no ritmo da nova cidade.

Claro, sinto falta de Brasília. Mas uma saudade boa, de ter saído porque quis, com meu dinheiro, com minha vontade, mesmo sem ter muita noção no que eu estava me metendo.

Um mês longe de casa. Mas agora finalmente em casa de novo. Casas diferentes, mas casas. Cada qual a seu próprio jeito.

4 de maio de 2012

Nova casa, nova vida

Depois de mais de um mês de guerra com imobiliárias, depois de muitos quilômetros de passeios para ver quais apartamentos estão disponíveis, finalmente estamos na nossa casa em São Paulo.

Um lugar lindo e sem nada, apenas um colchão no chão, mas pra que mais? Eu nunca vou me esquecer da sensação de ter dormido a primeira noite aqui.

E agora sim me sinto em São Paulo, pertinho da Augusta, de um shopping, um parque e uma estação de metrô!

E muitas dores de carregar um milhão de coisas pra lá e pra cá, de visitar lojas populares pra comprar geladeira, fogão, máquina de lavar, todas essas coisas de casa.

E saber que durante os próximos meses ficarei completamente pobre. Essa vai ser a primeira vez que vamos montar uma casa sem ajuda dos pais.

Mas mesmo pobre, quebrado e dolorido, não tem como esconder o sorriso de estar aqui, depois de um mês!

Só falta dar certo agora na entevista!

30 de abril de 2012

Olhar

Tudo muda tão depressa que perdi completamente meus referenciais, não sabendo mais nem mesmo quem/como/que/se sou. Nunca me imaginei em papeis, situações e desejos que me rondam.

Por trás dessa suposta serenidade que me acompanha(ou) a vida toda há uma tormenta, uma necessidade estrondosa de trabalhar/viver/amar até não conseguir sentir mais minhas costas, minha cabeça, meus pensamentos.

E tenho gostado de como a cidade tem me moldado. Ou como me deixei moldar, endurecer, enraivecer. Vejo outro reflexo no espelho, com um olhar negro, sobrancelhas grossas, rugas, dentes, boca. Não sei mais se esse seria quem realmente sou ou se me tornei algo diferente.

Gosto disso.

28 de abril de 2012

Ondas

Eu nunca havia sentido tanta vontade trabalhar em um lugar, sentir que várias coisas que fiz na vida me prepararam de alguma forma para estar lá. Fiz as provas, a entrevista e agora é só torcer para que se não me chamarem para lá, ao menos me indiquem para outro escritório.

Mesmo que eu não consiga a vaga, já me sinto feliz de ao menos ter sentido a possibilidade, ter visto como a vida pode sim mudar e essa mudança é mais rápida do que se imagina.

Não quero mais sentir que estou aquém do meu potencial, que estou parado, estagnado.

26 de abril de 2012

Dona de casa

Engraçado esses dias de dona-de-casa. A gente acorda cedo, tomamos café da manhã juntos, vou até a porta pra nos despedirmos e sigo pra cozinha lavar as louças. E então vou estudar, passear, resolver algum pepino, almoço, estudo mais, passeio mais, resolvo outro pepino. Então de noite nos encontramos, fazemos algo juntos pra janta, assistimos um pouco de tv, às vezes leio algo, depois vamos para o quarto, cada um em seu treco eletrônico ver as bobagens e atualizações da internet. E dormimos cedo para acordar cedo no dia seguinte.

A vida está tranquila e surpreendentemente temos gostado dessa calmaria. Já faz quase um mês que saí de Brasília e nunca vivi nada parecido com o que tenho vivido agora. A vida tem dessas coisas, quando menos se espera acontece algo que nunca imaginamos ser possível

Mas sei que isso tudo é bem temporário. Logo as coisas começam a apertar, trabalho, estudos, rotina. Bom é viver cada momento em sua hora.