22 de janeiro de 2026

Acompanhar



Está tudo mais ou menos tranquilo, a rotina mais ou menos igual em todas as semanas. Um tijolinho depois do outro, mas estão vem uma bomba e desequilibra tudo. Na verdade tudo parecia tão equilibrado, tão estável, mas então tudo se reorganiza de outra forma. Mas é bom receber esse sacode. Quer dizer, bom não é, mas vai acontecer um sacode de qualquer jeito. E tudo vira experiência. Eu, por exemplo, já estou expert em internações. Já estou preparando minha mochila com algumas coisas importantes. Vai ser só um pernoite, mas a mochila está quase pronta com meu leitor digital, videogame portátil, alguns lanches, um paninho para caso faça frio, fone de ouvido, copo e garrafa térmicos, carregadores. Deixo uma lista pronta no meu aplicativo de notas. Sei que a noite vai ser difícil, o sofá-cama desconfortável, os barulhos dos monitores de saúde, o entra-e-sai de pessoas o tempo todo. Para mim sempre ajuda focar na saúde e alta da pessoa, sempre muito amada, que estou de acompanhante. Espero que corra tudo bem!

14 de janeiro de 2026

Vida e morte



A vida virou um pouco de cabeça pra baixo com as notícias de saúde do meu marido. Pode ser algo simples, mas pode ser algo bem complicado, ainda não dá para saber. Tenho então tentado focar em etapas. A primeira agora é a cirurgia, minhas energias estão todas agora nessa. Depois a gente pensa nos próximos passos. Tenho buscado ser forte, ouvir, falar coisas boas, mas no fundo estou com muito medo. Envelhecer é entender mais de perto a possibilidade de morte, tanto a nossa própria quanto a morte de pessoas próximas. E isso me dá medo, pois não somos mais imortais, como acreditamos na juventude. Eu sei racionalmente que todos vamos morrer, mas é bem mais fácil quando a morte é apenas uma questão longe para lidarmos mais pra frente, quando ela não dói e está apenas ali no canto, embaixo do tapete. Mas ela está sempre ali. Ela é real, ela precisa doer. Ela é parte da vida. Não dá para ser aquela pessoa que emana positividade tóxica. É preciso pensar na morte, ela está no ciclo da vida.

9 de janeiro de 2026

Uma vida bem ordinária



Eu vivo no Brasil em 2026, uma sociedade desigual e capitalista. Eu preciso vender minha força de trabalho em troca de um salário. Tentei me imaginar em uma outra sociedade em que eu não precisaria receber um salário ou então tentei me imaginar como um herdeiro de uma grande fortuna e que eu nunca mais precisaria trabalhar o que eu faria? Eu gostaria de ler, de pesquisar, de estudar, gostaria de viajar pelo mundo, gostaria de ajudar as pessoas de alguma forma e, claro, precisaria também de um tempo para não fazer absolutamente nada. Mas esse mundo não existe e eu preciso sim trabalhar. Nunca pensei muito em se gosto ou não do meu trabalho. Eu na verdade nunca gostei especialmente de um trabalho, estágio ou trabalho voluntário que fiz, claro, também não detestei nenhum. Não sei também o que eu gostaria de fazer, qual trabalho seria o ideal para mim, afinal de contas não existe trabalho ideal. Existe trabalho. Eu gosto de ter um trabalho relativamente tranquilo e previsível, um trabalho que me pague certinho todos os meses e que eu posso tirar férias ao menos uma vez por ano. Esse já é o trabalho que eu tenho atualmente. Não é nada que eu me orgulhe, mas será que é preciso mesmo se orgulhar do trabalho? Eu me orgulho de quem eu sou, das decisões que eu tomei. Eu tenho orgulho de ser uma pessoa boa, de não fazer mal a ninguém e de poder dormir tranquilamente todas as noites sem grandes preocupações. Tenho orgulho da família que montei e os laços que mantenho. Gosto de pensar que o Vinicius hoje de 42 anos se daria bem com o Vinicius criança. E olha, mesmo esse Vinicius criança não tinha grandes ambições sobre o trabalho. Eu nunca soube exatamente o que eu queria ser quando crescesse e ainda não sei bem agora que sou adulto há muitos anos. Mas por enquanto não é uma grande crise, apesar das pressões da família e amigos. Eu faço bem meu trabalho e acho que mais pra frente vou saber os próximos passos. Por enquanto estou bem por aqui. Não tenho grandes ambições até hoje. Minha vida não é meu trabalho e, pensando bem, nem gosto de falar do meu trabalho fora do meu expediente. Não pretendo fazer grandes feitos e nem deixar uma marca na humanidade. Nem todo mundo precisa ser um verbete em alguma enciclopédia eletrônica. É libertador saber que pouco depois da minha morte quase ninguém vai se lembrar de mim ou dos meus feitos, como quase ninguém lembra da vida dos meus avós, que também não tiveram uma vida extraordinária. Eu gosto dessa vida ordinária (mesmo que essa palavra ainda me lembre dos pagodes dos anos 90 até hoje!). Gosto dessa vida simples, tranquila. Não preciso de muito e sei que não vou deixar uma grande marca. E está ótimo!

8 de janeiro de 2026

Chá de cidreira



Na casa dos meus pais até hoje tem um pé de cidreira. Lembro de tomar quase sempre chá de cidreira com muito açúcar. Acho que era o único chá que a gente tomava no dia-a-dia, sem estar doente. Há alguns dias minha cunhada nos deu alguns ramos de cidreira, afinal de contas esses últimos dias estamos com muitas preocupações de saúde. Fervi a água só até leves bolhas aparecerem, desliguei, coloquei os ramos e abafei por uns dez minutos. Tomei uma xícara e deixei o restante na garrafa térmica. Na hora me lembrei da infância, mesmo que agora não tenha mais açúcar no chá. Aquela xícara me acalmou e tomei o restante antes de dormir, pois no dia seguinte o rotina de trabalho voltaria. Um sono gostoso me dominou, minha cabeça estava mais tranquila. Não sei se foi a cidreira em si, mas fiquei mais calmo. E os dias seguintes também foram mais tranquilo, aquele furacão todo de preocupação com a saúde também parece que se dissipou um pouco. Agora é esperar a burocracia do plano de saúde. Mas com a cabeça mais tranquila. 

5 de janeiro de 2026

Livros 2025


(as madeleines que comi no dia que terminei de ler o último livro da saga Em Busca do Tempo Perdido)

Mesmo com muita coisa na cabeça consegui ler quase todos os dias, nem que fosse por alguns minutos. Nem acredito que finalmente consegui concluir a maratona que foi concluir os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, que na verdade é como se fosse apenas um livro enorme de quase 2500 páginas, com o mesmo narrador e praticamente os mesmos personagens em todos os volumes. E li muito nas viagem para a praia, coloquei meu leitor digital em um saquinho de fechamento hermético e li sem me preocupar com areia ou maresia. Foi um ano de ótimas leituras!

Sodoma e Gomorra - Marcel Proust
A prisioneira - Marcel Proust
A fugitiva - Marcel Proust 
Tempo recuperado - Marcel Proust 
É difícil para mim separar os livros e não tratar os setes volumes, que comecei a ler no ano passado, como um único grande livro com parágrafos que chegam a muitas páginas e poucos capítulos (geralmente dois ou três capítulos por livros) e que me levou quase dois anos para concluir. De longe foi o meu maior feito finalmente ter concluído a saga de Proust. Acho que meu cérebro foi reconfigurado depois dessa façanha, não por ter ficado mais inteligente, mas sim por ter conseguido ter mais paciência com a leitura em que quase nada acontece e em que o narrador é um tanto quanto chato. Mas por trás de todos os saraus, vesperais, peças de teatro e jantares em casas de pessoas ricas da sociedade de Paris do final do século XIX e início do século XX, Proust escreveu sobre o ser humano, as vontades, os desejos, os medos, as inadequações. Minhas partes favoritas foram no Hotel do Jupien, as conversas com o Barão de Charlu, com Oriane e os feitos de Gilberte. Gostei muito de ver um ponto de vista sobre a Primeira Guerra Mundial, de quem não estava ali no front e como a vida precisava continuar apesar da guerra. E pesquisei também sobre o Caso Dreyfus, que é real (e eu não conhecia!) e percorre vários trechos do livro, deixando impossível não fazer paralelos com as guerras atuais. Os relatos de bissexualidade e homossexualidade foram profundos, sem caricaturas e fiquei surpreso que um livro de mais de cem anos parece ainda tão contemporâneo. E todo o tempo fiquei com a máxima de "não confie no narrador", afinal de contas Marcel (que, por coincidência ou não, tem o mesmo nome de Proust) narra tudo em primeira pessoa, sempre de seu ponto de vista. Minha personagem favorita foi a governanta Françoise, acho que por sempre dizer o que pensa, sem se preocupar com educação. Na edição que li havia algumas notas de rodapé que informaram que praticamente todos os personagens foram baseados em pessoas famosas conhecidas por Proust. Mas o melhor mesmo é ler com o distanciamento geográfico e temporal, todas essas pessoas já morreram há anos. E adorei ver as notas do tradutor nos supostos erros de revisão de Proust (quando ele esquece que um personagem já havia morrido ou quando ele troca o parentesco de um personagem). Os últimos volumes não haviam sido publicados quando Proust era vivo. Eu amei ficar tanto tempo imerso nesse mundo, mesmo com a sensação em alguns momentos que a minha leitura não avançava. O final é maravilhoso, uma das coisas mais bonitas que eu já li e é impossível não pensar na passagem do tempo e nas esculturas que a passagem do tempos forma em nós.

Nós: O Atlântico em solitário - Tamara Klink (audiolivro)
Esse foi meu primeiro audiolivro, que veio em parcelas no podcast da Companhia das Letras. Eu adorei a dramaticidade da narração da Tamara Klink e realmente os feitos dela na navegação são incríveis! Eu jamais teria coragem de fazer algo parecido! Mal posso esperar para os próximos livros de Tamara.

Coisa de rico - Michel Alcoforado 
Esse livro é uma delícia de ler e gostei de pegar algo leve depois da Maratona Proust. Eu comprei para minha mãe, mas aproveitei para ler também. Adorei conhecer mais sobre os super ricos brasileiros e a escrita de Michel Alcoforado é maravilhosa. E ouvi tantas entrevistas dele em podcasts que sigo que parecia que já o conhecia. Eu li inclusive com sua voz na minha cabeça. E foi ótimo ver tantos amigos postarem fotos com esse livro, que virou uma febre. Imagina um livro baseado em uma tese de doutorado de antropologia alcançar tanta gente!

Latim em pó - Caetano Galindo 
Esse também comprei para minha mãe de natal e aproveitei para ler. Que delícia esse livro sobre a formação do português brasileiro, de como ele se transformou do latim, sofreu várias influências e chegou no nosso português brasileiro.

Na ponta da língua - Caetano Galindo
Esse também fez parte do pacotão de presente para minha mãe e de certa forma está relacionado ao Latim em Pó. Adoro o jeito que o Caetano Galindo escreve. E gostei de separar as palavras por partes do corpo. Eu me senti em uma aula divertida sobre as origens de várias palavras do português brasileiro.

Você , colônia - Beatriz Leal Craveiro 
É maravilhoso ler um livro de um autor que a gente conhece pessoalmente. Esse é o segundo livro que li da Beatriz, o primeiro foi o ótimo Mulheres que Mordem (que li em 2020). Eu devorei esse livro e os relatos dos narradores diferentes. Adorei ver as referências aqui da cidade e pensei em como é fácil enlouquecer. Poderia ser eu ali internado naquela clínica. E o livro vai ganhar versão impressa nesse ano! Que orgulho!

A boba da corte - Tati Bernardi
Esse é o primeiro livro de Tati Bernardi e adorei. Gosto muito dos podcasts da Tati e o livro também li escutando a voz da Tati na minha mente. Outro livro que devorei e ri em várias partes.

Mela cueca - DJ Zé Pedro
A pequena biografia de Zé Pedro no começo do livro foi a minha parte favorita do livro. Eu sou fã de Zé Pedro há muito tempo, desde a época do Super Pop. Em uma edição do Night Lab no SESI Lab há alguns anos finalmente consegui ver (e dançar) em um set dele. O livro é ótimo e tem várias curiosidades sobre músicas "mela-cueca" dos anos 60 a 80.

Gilberto Braga o Balzac da Globo - Maurício Stycer e Artur Xexeu
Eu mergulhei nesse livro de um jeito absurdo. Eu vi poucas novelas de Gilberto Braga, mas fiquei doido com Dancin' Days (que vi no Viva) e Vale Tudo (que vi na Globoplay). Que livro maravilhoso! Depois quero assistir mais coisas de Gilberto Braga e espero que a Globo lance mais séries e novelas baseadas nos textos inéditos dele. Eu estou completamente viciado!



31 de dezembro de 2025

Ideias para o ano que vem



Último dia do ano e é inevitável fazer um balanço. Deixa eu pensar um pouco aqui. Acho que foi um ano bom, estou feliz com minhas escolhas e comigo mesmo. Mas não deixou de ter desafios também, como agora no final do ano com algumas questões de saúde. Estamos todos vivos, apesar de tudo. E vamos enfrentar os problemas que vieram, como sempre fizemos. É difícil manter a calma e vai ser impossível em algumas ocasiões. Respira e segue em frente. Todo mundo me diz que uma das características da minha personalidade é a calma. Mas não é fácil. A calmaria não vem assim do nada, ainda mais com todo o caos ao redor. Mas respira. A respiração é a âncora, como nas aulas de meditação. Aliás, preciso mesmo voltar a meditar. Não gosto de resoluções, afinal nada está resolvido. Gosto mais de "ideias para o ano que vem", sem ordem de prioridade:

- manter a calma e saber acolher
- meditar quando der
- correr devagarinho
- ler todos os dias, nem que seja um pouco
- cozinhar para o dia-a-dia
- escutar músicas boas
- escrever para colocar minhas ideias para fora
- rir (e gargalhar algumas vezes)

14 de dezembro de 2025

Vamos a la playa



Tinha muito tempo que eu não ia para a praia. E como é bom sentir a maresia, ouvir as ondas e pele ficar coberta de sal e areia. São Miguel do Gostoso, um nome ótimo para uma cidade pequena e com praia. Quase todos as lojas e restaurantes têm algum trocadilho com gostoso no nome. As praias maravilhosas, comida gostosa e muita caminhada. Nossos melhores amigos foram o protetor solar e o hidratante anti-atrito. Nada de pele torrada ou coxas machucadas de tanto andar. Teve lagosta, camarão, peixes, polvo. Teve cerveja e caipirinha. E muitas conversas. A viagem para a praia é a mais relaxante de todas, no segundo dia eu já estava com a cabeça mais tranquila e o corpo descansado! Que saudades da praia!

1 de dezembro de 2025

Vida e trabalho



Tenho uma dificuldade quando me perguntam sobre o meu trabalho. Eu nunca defini minha vida em relação ao meu trabalho. Gosto do que eu faço, gosto de trabalhar, mas gosto mais da minha vida particular. Eu tenho meu trabalho e tenho minha vida. Então respondo em linhas bem gerais o que eu faço profissionalmente. Eu sou muito grato ao meu trabalho! E faço minhas atividades com muito afinco e atenção. Com meu trabalho consegui minha liberdade, minha independência e segurança, mas sinceramente não gosto de falar sobre meu trabalho em meus momentos de lazer. Acho que cada um no seu cada qual. Que bom que existem pessoas que vivem para trabalhar, mas eu sinceramente trabalho para viver.

20 de novembro de 2025

Sozinho



Meu marido foi para COP há quase duas semanas. Tinha muito tempo que eu não fica sozinho em casa por tantos dias. Foram várias emoções. Saudade, tédio, rotina. Amo minha casa e amo cuidar e ajeitar tudo por aqui. Sei cozinhar, fazer faxina, arrumar as coisas. Então tudo correu bem. Os cachorros me fizeram muita companhia e nao esqueci de trocar a água, brincar ou dar a comida deles. Cozinhei muito, algumas coisas não ficaram tão boas, mas várias ficaram bem gostosas. Li muito (estou no final da saga do Proust), vi vários filmes (fiz maratona dos filmes da saga Alien e da saga Extermínio), joguei muito Zelda. Senti muita saudade do meu marido, mas foi bom ter tanto tempo só comigo mesmo. Mas que bom que amanhã ele estará de volta. Eu gosto de ficar só, mas amo a rotina da casa com meu marido. É bom sentir essa saudade. E é bom saber que a vida também segue por aqui.

18 de novembro de 2025

Música com mais calor



Sempre gostei de música. Pesquiso novas e antigas, escuto programas com novos artistas, já comprei muitos discos de vinil e CD (e guardo os que ganhei ao longo dos anos, além dos vários que queimei em diversos computadores), e adorar escutar rádio quando estou no carro. Há uns 15 anos compramos uma vitrola que imitava um modelo bem antigo, desses de madeira. Ouvi novamente muitos discos nela, mas nos últimos anos ficou meio esquecida. As caixinhas de som que ligam por Bluetooth no celular são muito práticas, mas sentia falta de um som mais caloroso. Resolvi então pegar um cabo antigo que tem os dois lados no formato de fone de ouvido e liguei em um adaptador de fone de ouvido para usb-c. Testei a função auxiliar da vitrola e deu certo! Agora tenho escutado muito mais! Os discos dessas plataformas de streaming agora parecem que são cd ou vinil, não sei explicar direito. O son que sai dessa vitrola é gostoso de ouvir, mesmo que seja tudo digital, ele me passa a sensação de que é mais quente, mais redondo. Gosto de me esperar no sofá e escutar um álbum enquanto leio, brinco com os cachorros, mexo no celular ou simplesmente não faço nada. Tão bom recuperar um hábito que me fazia tanta falta! E dar uma nova vida a algo que eu já tinha em casa. 

10 de novembro de 2025

Disfarce



Uma reunião presencial em um prédio no centro da cidade me desestabilizou de um jeito que eu não imaginava. Eu não gosto de usar roupas sociais, sempre prefiro roupas mais confortáveis e simples, mas precisei arranjar um paletó de um dia para o outro. Aproveitei para ir em uma barbearia e cortar meu cabelo, tudo em um intervalo de almoço. Consegui cumprir essa gincana maluca e no dia seguinte estava disfarçado de profissional. A reunião foi densa e me tomou uma manhã toda e uma parte do almoço. Mas na verdade, agora ao ver isso tudo em perspectiva, foi simplesmente algo banal. Nem sempre tudo é simples assim. Essa gincana e o estresse que eu mesmo me coloquei abaixou minha imunidade e eu peguei uma gripe forte e uma afta enorme. Fiquei vários dias derrubado, mas aos poucos tudo volta ao normal. Agora já tenho um disfarce pronto para as próximas ocasiões em que seja preciso ter cara de profissional. Enquanto isso continuo com minhas roupas simples e confortáveis, sem disfarce.

29 de outubro de 2025

Natureza



Eu tenho um pequeno refúgio que sempre me ajuda. Dentro da cidade tem um parque nacional com piscina e trilhas, mais conhecido como Água Mineral. Sempre que tiro férias no trabalho tento ir lá repor minhas energias. Gosto de fazer as trilhas, tomar banho na bica e depois dar uma mergulho na piscina gelada. Minha parte favorita é a trilha menor, toda arborizada e com nascentes. Uma caminhada por ali já me deixa mais disposto e com a cabeça melhor. Sinto a natureza por ali e imagino a vida sobrenatural também com as entidades e as energias por ali. É um dos meus lugares favoritos da cidade. Um pequeno ponto mágico na cidade. Consegui passar por lá esses dias e sempre é maravilhoso ter esse contato com a natureza.

17 de outubro de 2025

Simples



Outubro já passou da metade, mas passou correndo. Foram dias de muito trabalho e muitas atividades, mas finalmente voltei a ter um pouco mais de calma para respirar. Chegar o final da tarde e simplesmente deitar no sofá com um livro enquanto faço carinho nos cachorros esparramados. Pra mim essa é a melhor sensação. A tranquilidade de estar em uma casa gostosa e simples, mas com tudo o que amo. Poder tomar um chá, comer alguma besteira. Mais tarde tomar um vinho, escutar música e conversar com meu marido enquanto os cachorros comem algum petisco natural. Eu acho que a minha criança teria gostado de saber que não preciso muito para ser feliz, ainda encontro momentos de tranquilidade, de tédio. Tenho tempo para brincadeiras e passeios. Posso caminhar de manhã cedo e observar as árvores, as florações, as frutas. Realmente é bom não precisar de muito. Passei muito tempo em uma competição maluca com pessoas imaginárias. Deveria estudar mais, trabalhar mais, procurar novos empregos, comprar um carro novo, um apartamento mais caro, viajar para o exterior. Foi bom tirar essa competição da minha cabeça, mesmo que ainda precise sempre responder às cobranças de família e amigos para que eu volte a esse campeonato. Minha vida não é apenas trabalhar e juntar dinheiro. Minha vida é curtir a simplicidade. É caminhar, rir, brincar, passear. A vida é simples.

30 de setembro de 2025

Trabalha trabalha



Eu não tenho pretensões com meu trabalho. Não penso em avançar na carreira, em escalar a montanha corporativa de sempre procurar melhores postos de trabalho em cargos com maior demanda profissional e maior carga horária. Não penso em virar coordenador, gerente ou diretor. Não tenho o menor talento de ser chefe. Gosto mesmo é de ficar no bastidor e desempenhar minhas funções. Estou há 13 anos no mesmo trabalho e desempenho praticamente as mesmas atividades. Eu gosto do meu trabalho. Tem dias piores e outros melhores, afinal de contas é trabalho. Gosto de receber meu salário no final do mês, não tenho problemas com meus colegas, atendo os prazos e tarefas que me pedem. Mas a cada dia que passa eu percebo que minha vida não é focada no trabalho. Eu não sou o meu trabalho. Meu trabalho é apenas uma parte da minha vida. Uma parte importante que me proporciona ter meu salário para pagar minhas contas e comprar as coisas que preciso (e algumas que não preciso também!). Para mim foi uma libertação não ter que dar orgulho para ninguém de que sou um grande expoente profissional, o grande talento descoberto. Gosto dessa simplicidade e isso que tem me ajudado a sobreviver em vários momentos delicados da minha vida. Não falo do meu trabalho com meus amigos nem com minha família. E não tenho um super salário, mas simplifiquei várias coisas na minha vida para se adequar ao meu dinheiro, sem precisar fazer dívidas ou viver sempre no aperto. Já pensei em procurar outros trabalhos, estudar para concurso, mas na prática é troca seis por meia dúzia. Quando era mais novo pensava em trabalhos utópicos no esquema "trabalhe com o que goste", mas sinceramente não tem nenhuma atividade que eu sinto que seria a minha vocação, não há nada que sinto que nasci para fazer. Ao mesmo tempo sei que mesmo o trabalho mais perfeito do mundo é trabalho e vai ter várias complicações. Realmente não sei ainda o que fazer, mas enquanto não sei, tento viver minha vida. Leio, pesquiso e vivo. Não sinto que estou parado esperando algo acontecer. A vida já acontece.

24 de setembro de 2025

Ufa!



O aniversário foi ótimo. Deu trabalho, gastei dinheiro, mas tudo correu bem. Foi algo pequeno, com pessoas próximas e muita comida gostosa! Eu gosto dos rituais e aniversário não deixa de ser um ritual. É bom ver essa passagem do tempo, essa mudança de idade, repensar algumas coisas. Tenho gostado do homem que me tornei e gosto do meu caminho. Tem sido bom envelhecer e gosto dessa tranquilidade ao deitar a cabeça no travesseiro de noite. E isso é muito bom!

8 de setembro de 2025

Aniversário logo ali



Meu aniversário está logo ali, daqui a alguns dias. Já tive vários sentimentos diferentes. Há um mês resolvi organizar uma festa para a comemoração, coisa pequena, poucas pessoas, algo como vinte convidados. Escolhi o quintal da casa dos meus pais, um lugar cheio de significados para mim, a casa de minha infância, a casa em que meus pais vivem até hoje. Meus pais que já estão idosos. eu não sei até quando meus pais estarão bem, então quero celebrar também a vida dos meus pais. Comecei a planejar, organizar tudo, comprar bebidas, encomendar a comida, o bolo, os doces. Minha mãe e meu marido me ajudaram muito. Enviei os convites muitos não poderão comparecer. Tentei pensar em amigos antigos, mas algumas amizades não têm mais a mesma liga. Não consegui completar a lista de vinte, mesmo que metade dos pessoas são família, aliás uma pena que meus irmãos morem tão longe e não vão poder estar por aqui com suas famílias. Acho que idealizo uma família grande dessas de novela e comercial de margarina. Mas o melhor mesmo é não se perder nessa idealização e valorizar a família real, a que existe de verdade. No final dos contas acho que a festa vai ser legal e tenho curtido o clima de aniversário. Aqui na frente do meu prédio tem um ipê rosa muito lindo e que sempre floresce perto de meu aniversário. Então acabei por adotar esse ipê como meu ipê de aniversário. Sempre que saio de casa nessa época ele está lá todo florido e sempre fico feliz de ver essa árvore tão bonita e que floresce mesmo nessa seca tão severa. E logo vai chegar meus 42.

22 de agosto de 2025

Tudo muda o tempo todo



O mundo está sempre em mudança. É como olhar para o céu: uma hora aparece um céu azul lindo em um dia ensolarado, mas pouco tempo depois tudo fica diferente. A vida é do mesmo jeito. Semana passada tudo parecia tranquilo e em uma boa caminhada. De repente tudo ficou diferente. Estou com pouca energia e muito cansado. E gastei muita energia para tentar colocar um pouco de ordem na cabeça. Ao menos estou melhor. A vida continua, ao menos. Aliás, que bom que a vida continua, o céu muda e tudo caminha mais ou menos rápido.

15 de agosto de 2025

Leve



Tenho tentado levar a vida de uma forma mais leve. Não foi nenhum estalo, não mudou nada significativo, mas fiquei com essa sensação de tentar viver de forma mais tranquila. Continuo com meus afazeres, com as minhas limitações e a parece que tudo está menos pesado. Tenho parado para olhar o por do sol, brinco com meus cachorros quando termino o dia de trabalho, presto atenção nas plantas e tento comer de forma melhor. Não tem muito segredo. Tem várias coisas e situações que não consigo mudar e me deixam triste, mas como não posso mudá-las o jeito é seguir em frente e focar no que eu posso realmente alterar. A vida não precisa ser tão complicada. As pequenas coisas, aquelas questões insignificantes é que tem me dado mais força. Afinal de contas eu também sou pequeno e insignificante e isso é ótimo!

8 de agosto de 2025

Já é agosto?



Agosto já é tão perto do meu aniversário. É um mês que eu costumo gostar, apesar da fama ruim que ele tem. Claro, a secura por aqui fica pesada, pois já não chove muito desde maio, mas ao mesmo tempo a cidade está cheia de ipês floridos, agora são os amarelos. A vida segue, sinto que tenho mais energia, mais planos, mais vontade de fazer programas diferentes. Mesmo com todas as complicações, a vida está boa. Tenho sentido mais necessidade de natureza. Sempre olho para as árvores e plantas enquanto caminho aqui por perto de casa ou enquanto dirijo pela cidade e isso me dá um alento tão grande. O céu também é um maravilhoso nessa época, principalmente o nascer e o por do sol. E que bom que finalmente chegou o final de semana!

30 de julho de 2025

18



Eu nunca pensei que fosse casar, morar junto, dividir a vida com alguém. Quando eu era criança e adolescente não havia nenhum referencial de casal entre pessoas do mesmo gênero. Mas como não havia referencial, então não tinha um modelo para seguir e criamos o nosso. Gosto da nossa rotina, nossa vida juntos. Passamos por vários perrengues e sempre conseguimos superar tudo. É uma vida tranquila, uma vida boa de se viver juntos. Nem parece que já são 18 anos juntos. Te amo! Aliás, eu nem sabia que ainda existia macarrão de letrinhas, que foi usado em várias sopas que fiz para a recuperação da cirurgia de vesícula.