
Eu vivo no Brasil em 2026, uma sociedade desigual e capitalista. Eu preciso vender minha força de trabalho em troca de um salário. Tentei me imaginar em uma outra sociedade em que eu não precisaria receber um salário ou então tentei me imaginar como um herdeiro de uma grande fortuna e que eu nunca mais precisaria trabalhar o que eu faria? Eu gostaria de ler, de pesquisar, de estudar, gostaria de viajar pelo mundo, gostaria de ajudar as pessoas de alguma forma e, claro, precisaria também de um tempo para não fazer absolutamente nada. Mas esse mundo não existe e eu preciso sim trabalhar. Nunca pensei muito em se gosto ou não do meu trabalho. Eu na verdade nunca gostei especialmente de um trabalho, estágio ou trabalho voluntário que fiz, claro, também não detestei nenhum. Não sei também o que eu gostaria de fazer, qual trabalho seria o ideal para mim, afinal de contas não existe trabalho ideal. Existe trabalho. Eu gosto de ter um trabalho relativamente tranquilo e previsível, um trabalho que me pague certinho todos os meses e que eu posso tirar férias ao menos uma vez por ano. Esse já é o trabalho que eu tenho atualmente. Não é nada que eu me orgulhe, mas será que é preciso mesmo se orgulhar do trabalho? Eu me orgulho de quem eu sou, das decisões que eu tomei. Eu tenho orgulho de ser uma pessoa boa, de não fazer mal a ninguém e de poder dormir tranquilamente todas as noites sem grandes preocupações. Tenho orgulho da família que montei e os laços que mantenho. Gosto de pensar que o Vinicius hoje de 42 anos se daria bem com o Vinicius criança. E olha, mesmo esse Vinicius criança não tinha grandes ambições sobre o trabalho. Eu nunca soube exatamente o que eu queria ser quando crescesse e ainda não sei bem agora que sou adulto há muitos anos. Mas por enquanto não é uma grande crise, apesar das pressões da família e amigos. Eu faço bem meu trabalho e acho que mais pra frente vou saber os próximos passos. Por enquanto estou bem por aqui. Não tenho grandes ambições até hoje. Minha vida não é meu trabalho e, pensando bem, nem gosto de falar do meu trabalho fora do meu expediente. Não pretendo fazer grandes feitos e nem deixar uma marca na humanidade. Nem todo mundo precisa ser um verbete em alguma enciclopédia eletrônica. É libertador saber que pouco depois da minha morte quase ninguém vai se lembrar de mim ou dos meus feitos, como quase ninguém lembra da vida dos meus avós, que também não tiveram uma vida extraordinária. Eu gosto dessa vida ordinária (mesmo que essa palavra ainda me lembre dos pagodes dos anos 90 até hoje!). Gosto dessa vida simples, tranquila. Não preciso de muito e sei que não vou deixar uma grande marca. E está ótimo!

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