A vida virou um pouco de cabeça pra baixo com as notícias de saúde do meu marido. Pode ser algo simples, mas pode ser algo bem complicado, ainda não dá para saber. Tenho então tentado focar em etapas. A primeira agora é a cirurgia, minhas energias estão todas agora nessa. Depois a gente pensa nos próximos passos. Tenho buscado ser forte, ouvir, falar coisas boas, mas no fundo estou com muito medo. Envelhecer é entender mais de perto a possibilidade de morte, tanto a nossa própria quanto a morte de pessoas próximas. E isso me dá medo, pois não somos mais imortais, como acreditamos na juventude. Eu sei racionalmente que todos vamos morrer, mas é bem mais fácil quando a morte é apenas uma questão longe para lidarmos mais pra frente, quando ela não dói e está apenas ali no canto, embaixo do tapete. Mas ela está sempre ali. Ela é real, ela precisa doer. Ela é parte da vida. Não dá para ser aquela pessoa que emana positividade tóxica. É preciso pensar na morte, ela está no ciclo da vida.
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